Um tradicional colégio da capital paulista está promovendo uma série de atividades para lembrar os 50 anos do Movimento do Custo de Vida (MCV), uma das mais importantes mobilizações populares contra a ditadura militar no Brasil. O evento resgata a memória de mulheres da periferia que lideraram a luta contra a inflação, a carestia e a queda do poder de compra das famílias trabalhadoras durante os anos 1970.
O local escolhido tem forte significado histórico: durante a ditadura, o colégio serviu de espaço para reuniões e acolhimento de perseguidos políticos, tornando-se um símbolo de resistência democrática. Foi ali que ocorreu, em 1976, a histórica Assembleia do Povo, considerada um marco da organização popular em São Paulo.
O Movimento do Custo de Vida nasceu principalmente nos bairros periféricos da capital paulista e foi impulsionado por mulheres ligadas a clubes de mães e às Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Elas denunciavam o aumento dos preços dos alimentos e a dificuldade de sobrevivência das famílias trabalhadoras sob o regime militar.
A mobilização cresceu rapidamente. As organizadoras realizaram pesquisas nos bairros, recolheram assinaturas e promoveram grandes manifestações. Em 1978, o movimento reuniu cerca de 1,3 milhão de assinaturas e levou milhares de pessoas à Praça da Sé, em um dos maiores protestos populares do período da ditadura.
As comemorações dos 50 anos destacam especialmente o protagonismo feminino. Muitas das líderes eram donas de casa, negras e moradoras das periferias paulistanas, que transformaram problemas cotidianos em uma luta política de grande alcance. Hoje, o movimento é reconhecido como um dos precursores da reorganização dos movimentos sociais que contribuíram para a redemocratização do país.
Além de preservar a memória da resistência à ditadura, a homenagem busca mostrar como a participação popular, especialmente das mulheres das periferias, ajudou a construir importantes avanços sociais e democráticos no Brasil.