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COLÉGIO DE SP QUE ABRIGOU PERSEGUIDOS NA DITADURA RELEMBRA 50 ANOS DO MOVIMENTO DO CUSTO DE VIDA
Por JOAO BISPO
Publicado em 20/06/2026 14:32
Notícia

Um tradicional colégio da capital paulista está promovendo uma série de atividades para lembrar os 50 anos do Movimento do Custo de Vida (MCV), uma das mais importantes mobilizações populares contra a ditadura militar no Brasil. O evento resgata a memória de mulheres da periferia que lideraram a luta contra a inflação, a carestia e a queda do poder de compra das famílias trabalhadoras durante os anos 1970.

O local escolhido tem forte significado histórico: durante a ditadura, o colégio serviu de espaço para reuniões e acolhimento de perseguidos políticos, tornando-se um símbolo de resistência democrática. Foi ali que ocorreu, em 1976, a histórica Assembleia do Povo, considerada um marco da organização popular em São Paulo.

O Movimento do Custo de Vida nasceu principalmente nos bairros periféricos da capital paulista e foi impulsionado por mulheres ligadas a clubes de mães e às Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Elas denunciavam o aumento dos preços dos alimentos e a dificuldade de sobrevivência das famílias trabalhadoras sob o regime militar.

A mobilização cresceu rapidamente. As organizadoras realizaram pesquisas nos bairros, recolheram assinaturas e promoveram grandes manifestações. Em 1978, o movimento reuniu cerca de 1,3 milhão de assinaturas e levou milhares de pessoas à Praça da Sé, em um dos maiores protestos populares do período da ditadura.

As comemorações dos 50 anos destacam especialmente o protagonismo feminino. Muitas das líderes eram donas de casa, negras e moradoras das periferias paulistanas, que transformaram problemas cotidianos em uma luta política de grande alcance. Hoje, o movimento é reconhecido como um dos precursores da reorganização dos movimentos sociais que contribuíram para a redemocratização do país.

 

Além de preservar a memória da resistência à ditadura, a homenagem busca mostrar como a participação popular, especialmente das mulheres das periferias, ajudou a construir importantes avanços sociais e democráticos no Brasil. 

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