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ANVISA AUTORIZA O USO DO MOUNJARO PRA DIABETES TIPO 2 EM CRIANÇAS
Por JOAO BISPO
Publicado em 04/06/2026 08:11
Saúde

A autorização da Anvisa para o uso do medicamento Mounjaro em crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 é uma das mudanças mais importantes no tratamento pediátrico da doença no Brasil em 2026. A partir da aprovação publicada em abril, o medicamento passou a ser indicado para pacientes de 10 a 17 anos, enquanto antes era autorizado apenas para adultos. 

O que mudou?

A mudança foi específica para o tratamento do diabetes tipo 2. As demais indicações já aprovadas para o Mounjaro — como controle de peso e apneia obstrutiva do sono em adultos — permanecem restritas à população adulta. 

O que é o Mounjaro?

O Mounjaro contém tirzepatida, um medicamento injetável de aplicação semanal que atua em dois receptores hormonais relacionados ao controle da glicose e do apetite (GIP e GLP-1). Essa ação ajuda a:

  • reduzir os níveis de açúcar no sangue;

  • melhorar a resposta do organismo à insulina;

  • favorecer a perda de peso em muitos pacientes;

  • reduzir fatores de risco metabólicos associados ao diabetes. 

Quais foram os resultados dos estudos?

No estudo clínico internacional SURPASS-PEDS, que avaliou jovens de 10 a menos de 18 anos com diabetes tipo 2:

  • houve redução superior a 2 pontos percentuais na hemoglobina glicada (HbA1c);

  • cerca de 4 em cada 5 participantes atingiram níveis considerados adequados de controle glicêmico;

  • observou-se redução do índice de massa corporal (IMC);

  • o perfil de segurança foi semelhante ao já observado em adultos. 

Por que isso é importante?

O diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes tem crescido junto com a obesidade infantil. Além disso, a doença costuma evoluir mais rapidamente nos jovens do que nos adultos, aumentando o risco de complicações precoces. Até recentemente, as opções terapêuticas para essa faixa etária eram relativamente limitadas. 

O que os pais precisam saber?

  • O medicamento não é indicado para todas as crianças.

  • A prescrição deve ser feita por endocrinologista pediátrico ou médico com experiência no tratamento da doença.

  • O tratamento continua exigindo acompanhamento nutricional, atividade física e monitoramento regular da glicemia.

  • Os efeitos adversos mais comuns costumam ser gastrointestinais, como náusea, vômitos e diarreia. 

 

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