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NA CHINA, A EXIBIÇÃO EXAGERADA NA INTERNET FOI LIMITADA
Por JOAO BISPO
Publicado em 01/06/2026 07:20
Notícia

Na China, houve de fato uma série de medidas governamentais para restringir conteúdos considerados excessivamente ostentatórios nas redes sociais, especialmente a partir de 2021. O fenômeno está ligado a uma campanha mais ampla do governo chinês em favor da chamada "prosperidade comum" (*common prosperity*), que busca reduzir desigualdades sociais e combater a exibição de riqueza considerada prejudicial à coesão social.

 

 O que foi restringido?

 

As autoridades chinesas e plataformas como [Weibo](https://weibo.com?utm_source=chatgpt.com), [Douyin](https://www.douyin.com?utm_source=chatgpt.com) (versão chinesa do TikTok) e [Xiaohongshu](https://www.xiaohongshu.com?utm_source=chatgpt.com) passaram a remover ou limitar conteúdos que exibiam:

 

  • Carros de luxo, jatinhos e mansões de forma ostensiva.
  • Gastos extravagantes e demonstrações excessivas de riqueza.
  • Estilos de vida considerados "vulgares" ou que incentivassem o materialismo.
  • Rankings de celebridades baseados em riqueza ou popularidade.

 

As plataformas receberam orientações para promover valores considerados mais alinhados aos objetivos sociais do governo.

 

 Influenciadores que desapareceram

 

Alguns dos maiores influenciadores e celebridades digitais da China perderam contas, tiveram conteúdos removidos ou simplesmente desapareceram das plataformas sem explicações públicas detalhadas.

 

Um dos casos mais conhecidos foi o de Guo Meimei, que ficou famosa por exibir carros de luxo, bolsas caras e um estilo de vida extravagante. Embora seus problemas com as autoridades tenham envolvido outras questões legais, seu caso se tornou símbolo da crítica oficial à ostentação online.

 

Outro exemplo marcante foi Huang Wei (Viya), uma das maiores influenciadoras de vendas ao vivo do país. Após receber uma multa bilionária por evasão fiscal, sua presença online foi praticamente eliminada das principais plataformas.

 

Também houve casos de contas de celebridades e influenciadores milionários sendo removidas por promoverem consumo excessivo ou por entrarem em conflito com novas diretrizes regulatórias.

 

Por que isso aconteceu?

 

O governo chinês apresentou várias justificativas:

 

1. Reduzir a influência do consumismo extremo sobre jovens.

2. Combater a cultura de idolatria de celebridades.

3. Diminuir tensões sociais em um país com grandes diferenças de renda.

4. Reforçar valores de trabalho, moderação e responsabilidade social.

 

Críticos, porém, argumentam que as medidas também aumentaram o controle estatal sobre a expressão online e deram às autoridades maior poder para definir quais comportamentos e conteúdos são aceitáveis.

 

 Os influenciadores realmente desapareceram "da noite para o dia"?

 

Em alguns casos, sim. Usuários acordavam e encontravam contas com milhões de seguidores removidas ou inacessíveis. Muitas vezes as plataformas anunciavam apenas que a conta havia violado regras, sem fornecer detalhes completos. Isso contribuiu para a percepção de que figuras extremamente populares podiam desaparecer quase instantaneamente do ecossistema digital chinês.

 

 Consequências

 

O resultado foi uma mudança visível na cultura de influenciadores chineses:

 

  • Menos exibição explícita de riqueza.
  •  Maior foco em educação, empreendedorismo e estilo de vida cotidiano.
  •  Mais cautela entre criadores de conteúdo ao mostrar luxo.
  •  Crescimento de conteúdos alinhados às prioridades sociais e econômicas defendidas pelo governo.

Esse episódio é frequentemente citado como um exemplo de como a China exerce influência direta sobre o ambiente digital, moldando não apenas o que é ilegal, mas também quais valores culturais são promovidos nas plataformas online.

 

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