A expressão “ataques de safári” passou a ser usada por moradores e autoridades ucranianas para descrever ataques de drones russos contra civis, principalmente na região de Kherson, no sul da Ucrânia. O termo faz referência à maneira como alguns drones FPV perseguem pessoas ou veículos pelas ruas antes de lançar explosivos.
O que está acontecendo?
Nos últimos dias, o fenômeno voltou a ganhar destaque após a divulgação de imagens de um drone perseguindo um vendedor de verduras de 52 anos em Kherson. O homem conseguiu sobreviver, mas sofreu ferimentos causados por estilhaços e concussão. Autoridades ucranianas classificaram o episódio como um possível crime de guerra.
A situação também preocupa em Zaporizhzhia, onde ataques com drones FPV e bombas planadoras vêm aumentando. Moradores relatam que a ameaça constante dificulta atividades simples, como trabalhar, utilizar o transporte público ou circular pelas ruas.
Por que “safári”?
O apelido surgiu porque os drones conseguem identificar, acompanhar e perseguir pessoas individualmente, transformando ruas e áreas residenciais em locais de constante ameaça. Em Kherson, moradores passaram a usar o termo “safári humano” para descrever essa realidade.
Segundo autoridades locais citadas pela Reuters, a intensificação dos ataques tem como efeito não apenas causar vítimas e danos materiais, mas também espalhar medo e pressionar a população civil.
⚠️ Possível violação do direito internacional
O direito internacional humanitário proíbe ataques deliberados contra civis. Por isso, quando há evidências de que uma pessoa foi identificada como civil e deliberadamente escolhida como alvo, o episódio pode configurar crime de guerra, dependendo da investigação e das circunstâncias.
É importante, porém, separar as acusações de intenção dos fatos já documentados: autoridades ucranianas acusam as forças russas de usar os drones deliberadamente para aterrorizar civis, enquanto a Rússia nega atacar intencionalmente a população civil.
O fenômeno não é totalmente novo: ataques desse tipo em Kherson vêm sendo registrados desde 2024, mas a frequência e a visibilidade das imagens fizeram o termo “safári” ganhar novamente repercussão internacional em agosto de 2026.