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BRASILEIRA PODE TER REVOLUCIONADO TRATAMENTO PARA LESÕES NA MEDULA ESPINHAL
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 26/01/2026 08:41
Saúde

O que é essa pesquisa brasileira?

Uma equipe de cientistas liderada pela professora e bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu um tratamento experimental para lesões da medula espinhal, que podem levar à paraplegia ou tetraplegia.

O foco é uma molécula chamada laminina, encontrada na placenta humana, que os pesquisadores transformaram em um composto chamado polilaminina. Estudos indicam que essa substância pode estimular a regeneração de conexões neurais após uma lesão grave na medula — algo que até hoje era um dos maiores desafios da medicina.


Resultados promissores, mas ainda experimentais

Os testes com polilaminina mostraram resultados animadores em alguns casos:

  • Aplicação em pacientes humanos — em alguns casos de pessoas que sofreram lesão medular grave e ficaram tetraplégicas, houve retorno parcial ou até quase total de movimentos após o tratamento e reabilitação.

  • Casos emocionantes — relatos como o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente e, depois de receber o tratamento experimental, conseguiu recuperar grande parte da mobilidade, caminhar e retomar atividades do dia a dia.

  • Outros pacientes também têm mostrado melhoria significativa em movimentos dos braços e pernas.

Esses resultados são historicamente importantes porque nenhum tratamento anterior havia mostrado efeitos tão robustos na regeneração da medula espinhal em humanos.


⚠️ Importante: isso ainda não é oficialmente uma “cura”

Apesar dos resultados promissores:

  • O polilaminina ainda está em fase experimental e não foi aprovado pela Anvisa para uso clínico generalizado.

  • Os estudos apresentados até agora são preliminares e envolvem um número pequeno de pacientes, com muitas variáveis (por exemplo, tempo entre o acidente e o tratamento).

  • Fases maiores de ensaios clínicos ainda são necessárias para comprovar de forma segura e consistente que o tratamento funciona em larga escala.

Ou seja: é um avanço médico real e promissor, mas não é (ainda) uma cura formal aprovada e definitiva. É esperado que, se os ensaios maiores confirmarem eficácia e segurança, isso represente uma revolução no tratamento de lesões medulares.


Quem está por trás da pesquisa

  • Tatiana Coelho de Sampaio — bióloga e professora da UFRJ que liderou a investigação sobre a proteína laminina por mais de 25 anos até chegar ao desenvolvimento da polilaminina.

  • UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) — universidade pública brasileira envolvida no desenvolvimento científico.

  • Laboratório Cristália — parceiro industrial que ajudou a transformar a descoberta em um medicamento experimental.


Por que isso é tão importante

Lesões medulares que causam tetraplegia (paralisia de braços e pernas) atualmente não têm tratamento capaz de regenerar o nervo danificado e as opções clínicas existentes focam em reabilitação e adaptação, não em reconstrução dos circuitos neuronais.

Se a polilaminina for comprovada como eficaz e segura em estudos maiores, isso pode significar restaurar movimentos a pessoas que vivem há décadas sem controle motor — algo considerado impossível até recentemente.

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