
Elisa Lispector, irmã de Clarice Lispector, apesar de pouco conhecida, deixa um legado literário tão grandioso quanto o da irmã. Nascida em 24 de julho de 1911, na aldeia Sawranh, na Ucrânia, ainda criança, fugindo da perseguições antissemitas, consequência da Revolução Russa, veio para o Brasil com a família.
Seu nome era Leah Pinkhasovna Lispector e, bem como as irmãs, foi modificado no Brasil por receio de retaliações. “Quando aportaram no Brasil, todos os integrantes da família Lispector tiveram seus primeiros nomes mudados, a fim de fugir da perseguição aos judeus, também presente em solo brasileiro.”, segundo Henriquei e Nascimento, (2013).
Em 1922, chegam em Maceió, depois mudam-se para Recife, em Pernambuco. Em 1933, sua mãe morre e Elisa passa a se responsabilizar pelos cuidados da casa e das irmãs. Lecionou por uma temporada e em seguida, muda-se para o Rio de Janeiro, ingressando no serviço público Federal.
Além do serviço público, Elisa era colaboradora de revistas e jornais literários, e em 1947, também começou a trabalhar como jornalista. Em 1963, ganhou o Prêmio José Lins do Rego, promovido pela livraria José Olympio Editora, sendo o maior concurso literário da época, tendo na comissão julgadora a escritora Raquel de Queiroz. Apesar disso, sua carreira literária passou despercebida pelo grande público, para alguns estudiosos, isso é devido ao estrondo literário de sua irmã, Clarice Lispector, que acabou por ofuscar sua produção, já para outros, o fato de a autora trazer um tom confessional e tratar de suas experiências antes de morar no Brasil, acabou por afastar a crítica. A verdade é que seus livros pouco são divulgados, acabaram esquecidos e quando mencionados, é com o objetivo de buscar informações sobre sua irmã, Clarice Lispector.
Mais do que a irmã de Clarice: 6 romances da escritora Elisa Lispector
Não deve ser fácil ser “a irmã”, “o filho”, “a esposa” de alguém. Quando se é parente de alguém famoso, pode ser difícil sair desta sombra. Talvez isso tenha acontecido um pouco com Elisa Lispector, irmã da nossa famosa e querida Clarice. Acontece que, além de irmã de Clarice, Elisa foi também uma escritora, com obras de grande qualidade e relevância para a história da literatura brasileira.
Nascida em 1911, na Ucrânia, Elisa foi romancista, cronista e jornalista. Escreveu 7 romances e 3 livros de contos entre 1945 e 1985
Selecionamos, nesta matéria, 6 romances de Elisa Lispector que merecem ser lidos e espalhados por aí. Pode ser difícil encontrar livros da autora, mas grande parte deles está disponível em sebos virtuais e físicos. Confira:
1- Além da Fronteira (1945)
Além da Fronteira, de Elisa Lispector, é um romance introspectivo. Sérgio, a personagem principal, é um artista irrealizado, um ser angustiado ao extremo, mas sempre sequioso de comunhão humana. A angústia metafísica, que aparece em todas as obras de Elisa Lispector, está presente neste livro tão denso, que é o romance da solidão. Mas é uma solidão generosa, aberta, marcada pela esperança. Estamos diante do retrato de um artista jovem. O estilo insinuante de Elisa Lispector tem uma leveza musical.
2- No Exílio (1948)
Em “No Exílio”, o mais autobiográfico de seus romances, considerando a humanidade como um processo histórico infinito, Elisa Lispector mede o campo da realidade sob o ângulo de visão da protagonista Lizza, em busca de sua verdade mais inteira. A tensão ocorre entre problemas individuais e o drama coletivo de todo um povo, de toda uma época caracterizada por extrema violência contra a humanidade.
3- O Muro de Pedras (1963)
Este romance despertou na crítica muitos comentários e elogios, por sua sensibilidade, calor humano, numa narrativa introspectiva, carregada de sentimentos profundos, penetrando e invadindo as cavernas das emoções mais dolorosas, como só os grandes escritores podem fazê-lo.
4- O Dia Mais Longo de Thereza (1965)
Elisa Lispector, repetindo o que ocorre com Clarice Lispector, reescreve o que se tinha por “romance psicológico” na década de 30, em contraposição ao “romance social”.
5- A Última Porta (1975)
Romance. Mulher em solidão. Mulher em desamor. À procura da razão de ser. Do sentido da vida. Desnudamento da dor. Apologia da esperança. Romance de todos nós; romance, drama, ilusão, coisa vivida, coisa sentida. Autodescoberta. Livro para meditar.
