Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
HALLOWEEN - POR TRÁS DO FILME: CORRA (2017)
Por JOAO BISPO
Publicado em 22/10/2026 09:05
Halloween..
 

Coisas estranhas, cenas perturbadoras e curiosidades dos bastidores

The Sunken Place | Feminist Guide to "Get Out"
 
 
 
Betty Gabriel on Stealing the Show in ‘Get Out’
 
 
 
Get Out (2017)
 
 
 

Lançado em 2017, Corra! (Get Out) transformou situações aparentemente comuns em um pesadelo psicológico. Dirigido por Jordan Peele, o longa acompanha Chris, um jovem negro que visita a família branca de sua namorada e começa a perceber que há algo profundamente errado naquela casa.

Mas será que coisas assustadoras realmente aconteceram com os atores durante as filmagens? A produção tem histórias curiosas e cenas que exigiram bastante dos intérpretes — embora não haja relatos confiáveis de acontecimentos sobrenaturais no set. O que realmente aconteceu nos bastidores é interessante por si só.

1. A cena do Lugar Afundado foi fisicamente desgastante

Tales From The Box Office: Get Out Made Jordan Peele A Superstar Filmmaker Overnight
 
 
 

Uma das imagens mais perturbadoras do filme é o chamado Lugar Afundado, quando Chris parece cair em um vazio infinito, observando o mundo de longe enquanto perde o controle do próprio corpo.

Para criar o efeito, Daniel Kaluuya foi suspenso por cabos, enquanto ventiladores movimentavam suas roupas. A cena exigiu um dia inteiro de trabalho e foi fisicamente desgastante para o ator, que relatou desconforto provocado pelo equipamento e pelo atrito. Não era uma experiência sobrenatural, mas uma situação que exigia bastante resistência física.

 

 

O resultado ficou tão marcante que o Lugar Afundado se tornou uma das imagens mais reconhecidas do terror moderno.

2. Georgina parecia assustadora até nos detalhes da atuação

Get Out: 10 Cool Behind-The-Scenes Facts About Jordan Peele's Horror Movie | Cinemablend
 
 
 

A personagem Georgina, interpretada por Betty Gabriel, protagoniza uma das cenas mais desconfortáveis: ela tenta explicar por que desconectou o celular de Chris, mas começa a chorar enquanto mantém um sorriso estranho.

O efeito não depende de maquiagem monstruosa ou de sustos repentinos. Ele vem da expressão facial, da voz e da sensação de que a personagem está lutando contra alguma coisa dentro de si.

O diretor de fotografia Toby Oliver explicou que a câmera foi posicionada muito perto do rosto da atriz, acompanhando seus movimentos. Essa proximidade faz o espectador sentir que há algo errado, mesmo quando não consegue explicar exatamente o quê.

 

 

O detalhe perturbador: Georgina parece estar sofrendo e sorrindo ao mesmo tempo. É justamente essa contradição que torna a cena tão inquietante.

3. O elenco passou um período convivendo em um hotel histórico

Uma curiosidade dos bastidores é que boa parte da equipe ficou hospedada em um hotel histórico durante as filmagens no Alabama. Como a produção tinha orçamento limitado e um cronograma apertado, o elenco e a equipe acabaram convivendo bastante fora do trabalho.

Allison Williams, que interpretou Rose, alugou uma casa na região e contou que o local virou um ponto de encontro para colegas, com refeições e conversas ao redor de uma fogueira. A convivência aproximou o grupo durante a produção.

 

 

É curioso pensar que, enquanto o filme mostra uma família escondendo segredos horríveis dentro de uma casa isolada, os bastidores reais eram marcados por encontros e momentos de descontração. Não há evidências de que o hotel fosse assombrado — essa parte fica por conta da imaginação dos fãs.

4. A cena do leite foi criada pouco antes das filmagens

Allison Williams breaks down the infamous Froot Loops scene in 'Get Out' | Business Insider Africa
 
 
 

Uma das cenas mais estranhas mostra Rose comendo cereal e bebendo leite separadamente, sem misturá-los. A imagem parece banal, mas ganha um significado perturbador quando o público conhece melhor a personagem.

Segundo Jordan Peele, a ideia surgiu poucos dias antes de a cena ser filmada. Ele queria criar uma imagem silenciosa, visualmente estranha e capaz de revelar algo sobre Rose sem precisar de diálogos.

 

 

O interessante é que um gesto cotidiano se transforma em um sinal de alerta. Depois de conhecer o verdadeiro caráter da personagem, muitos espectadores passam a enxergar essa cena de maneira completamente diferente.

5. O final original era muito mais sombrio

GUEST ROOM | Which 2017 Movie Would Win A Hypothetical Oscar For Best Scene? - The Cornell Daily Sun
 
 
 

Corra! quase terminou de uma maneira ainda mais devastadora.

Na versão original, Chris seria preso pela polícia depois dos acontecimentos na propriedade dos Armitage. O desfecho reforçaria a crítica social do filme, deixando o protagonista sem uma saída real, mesmo depois de sobreviver ao pesadelo.

A produção acabou optando por um final diferente, no qual Rod chega para resgatá-lo. Jordan Peele explicou que queria deixar o público com uma sensação de esperança, em vez de encerrar a história apenas com desespero.

 

 

Imagine o impacto: depois de acompanhar Chris tentando escapar de uma família criminosa, o público ainda teria de vê-lo ser levado pela polícia. Esse final faria o filme terminar de maneira muito mais cruel.

6. A casa não precisava parecer mal-assombrada para causar medo

The house from Get Out (2017)
 
 
 

Ao contrário de muitos filmes de terror, Corra! não apresenta sua casa principal como um lugar abandonado, escuro ou cheio de sinais sobrenaturais.

A equipe de fotografia decidiu usar ambientes bonitos, jardins bem cuidados e iluminação acolhedora. A ideia era fazer Chris — e o público — acreditar inicialmente que ele estava em um lugar seguro.

Quando o comportamento dos moradores começa a ficar estranho, a iluminação passa a usar tons mais frios e esverdeados, criando uma sensação sutil de desconforto. A mudança visual ajuda a transformar uma casa aparentemente perfeita em um cenário ameaçador.

 

 

É um dos aspectos mais inteligentes da produção: o medo nasce da desconfiança, não de fantasmas aparecendo no corredor.

7. As filmagens foram realizadas em apenas 23 dias

Parece difícil acreditar que um filme tão cheio de detalhes tenha sido produzido em tão pouco tempo, mas a fotografia principal durou aproximadamente 23 dias. As filmagens aconteceram principalmente em Fairhope e Mobile, no Alabama.

 

 

O prazo curto exigiu planejamento cuidadoso. A equipe precisava organizar cenas complexas, movimentos de câmera e momentos de tensão sem desperdiçar tempo.

O longa também marcou a estreia de Jordan Peele na direção de um filme de longa-metragem. Ele era conhecido principalmente pelo trabalho com comédia, o que tornou ainda mais surpreendente sua estreia no terror psicológico.

 

 

8. O título esconde uma mensagem que vai além do terror

O nome original, Get Out, significa algo como “saia daqui” ou “fuja”. A expressão resume o desejo desesperado de Chris de escapar daquela situação.

Peele também se inspirou em filmes clássicos de terror e suspense, incluindo A Noite dos Mortos-Vivos, O Bebê de Rosemary e As Esposas de Stepford.

 

 

O diferencial de Corra! é transformar situações sociais aparentemente normais — elogios, conversas educadas e reuniões familiares — em fontes de medo. A ameaça não aparece necessariamente com um rosto monstruoso: ela pode estar escondida atrás de um sorriso simpático.

 

Afinal, aconteceram coisas sobrenaturais durante as gravações?

Não encontrei relatos confiáveis de que os atores tenham presenciado fantasmas, fenômenos inexplicáveis ou acidentes sobrenaturais durante a produção. As histórias documentadas dizem respeito principalmente ao esforço físico das filmagens, às escolhas de atuação e aos detalhes criativos do diretor.

Talvez o aspecto mais assustador de Corra! seja justamente esse: o filme não precisa de uma maldição nos bastidores para causar medo. Ele utiliza expressões, silêncios, gestos cotidianos e situações de desconforto para criar uma sensação de perigo que permanece mesmo depois que os créditos terminam.

Comentários