A utilização de um veículo com placa oficial que não consta nos registros está no centro de uma controvérsia envolvendo um deputado estadual do Partido Liberal (PL). O caso deverá ser analisado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que poderá avaliar a conduta do parlamentar e verificar se houve alguma irregularidade.
O episódio chama a atenção porque envolve um representante eleito para exercer uma função pública e levanta questionamentos sobre o uso de identificações veiculares oficiais, a transparência e a responsabilidade de agentes políticos.
O que aconteceu?
O caso envolve o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP), cantor gospel e ex-deputado federal. Na madrugada de 19 de outubro de 2026, ele foi detido após um disparo de arma de fogo em uma casa noturna no Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo. O episódio também levou a polícia a apreender o veículo que ele utilizava.
Segundo informações publicadas pelo UOL, o parlamentar estava em um carro BYD preto com uma placa oficial da Alesp. Entretanto, a identificação aparecia nos registros da Assembleia vinculada a um Toyota Corolla, e não ao BYD utilizado pelo deputado.
Por que a placa levantou suspeitas?
A questão não é simplesmente o modelo do automóvel. Deputados podem alugar veículos diferentes dos disponibilizados em contratos da Assembleia, mas precisam cumprir as regras de cadastro para utilizar a identificação oficial.
Como o BYD não aparecia no registro correspondente, surgiu a suspeita de uso irregular da placa. A Alesp confirmou a abertura de uma apuração interna para investigar o caso.
Se for comprovada uma adulteração de sinal identificador de veículo, a conduta poderá ter consequências criminais, além de eventuais sanções administrativas ou parlamentares. A irregularidade ainda precisa ser apurada, e a existência de suspeitas não significa que o deputado já tenha sido considerado culpado.
O que a Alesp poderá fazer?
A Assembleia poderá examinar a origem do veículo, a autorização para uso da placa e a eventual responsabilidade do parlamentar. Dependendo das conclusões, poderão ser avaliadas medidas administrativas e encaminhamentos às autoridades competentes.
O episódio também gerou questionamentos políticos sobre a responsabilidade no uso de recursos e identificações vinculados ao Poder Legislativo. A investigação sobre a placa é distinta da apuração policial relativa ao disparo ocorrido na casa noturna.