A Ditadura Militar brasileira foi um período da história do Brasil que durou de 1964 a 1985, quando o país foi governado por militares após um golpe de Estado que retirou o presidente João Goulart do poder.
Durante esses 21 anos, o Brasil teve presidentes militares, eleições presidenciais diretas foram suspensas e o governo restringiu liberdades políticas e civis. Houve censura à imprensa, perseguição a opositores, prisões arbitrárias, tortura e assassinatos cometidos por agentes do Estado.
O período também foi marcado por grandes obras públicas, mudanças econômicas, crescimento industrial em determinados anos e aumento da dívida externa. Esses aspectos econômicos precisam ser analisados junto com os custos sociais e políticos do regime.
1. Como a ditadura começou?

No início da década de 1960, o Brasil enfrentava inflação, conflitos políticos e disputas sobre reformas sociais e econômicas.
João Goulart, conhecido como Jango, era presidente desde 1961. Suas propostas de reformas de base, que incluíam mudanças na estrutura agrária, educacional e tributária, provocaram apoio de alguns setores e forte oposição de outros.
Em 31 de março e 1º de abril de 1964, setores das Forças Armadas se mobilizaram contra o governo. Jango deixou Brasília e seguiu para o Rio Grande do Sul. O golpe consolidou-se, e os militares assumiram o controle do Estado.
Os golpistas justificavam a intervenção como uma forma de combater o comunismo e restaurar a ordem. Entretanto, o resultado foi a instalação de um regime autoritário que duraria mais de duas décadas.
2. Como funcionava o regime?

O governo concentrava grande parte do poder nas mãos do Executivo e das Forças Armadas. Ao longo do período, foram adotadas medidas que enfraqueceram as instituições democráticas.
Entre as principais características estavam:
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Censura: jornais, músicas, peças teatrais, filmes e programas de televisão podiam ser proibidos ou modificados.
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Perseguição política: pessoas consideradas opositoras ao governo eram investigadas, presas, exiladas ou afastadas de cargos públicos.
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Tortura: órgãos de repressão utilizaram violência física e psicológica para interrogar presos.
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Restrição política: eleições presidenciais diretas foram suspensas, e parlamentares tiveram seus mandatos cassados.
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Vigilância: estudantes, jornalistas, artistas, sindicalistas e militantes eram monitorados pelos órgãos de informação.
Essas violações foram documentadas pela Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura.
3. O que foi o AI-5?
O Ato Institucional nº 5, conhecido como AI-5, foi decretado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Artur da Costa e Silva.
Ele ampliou os poderes do governo, permitindo, entre outras medidas, o fechamento do Congresso Nacional, a cassação de mandatos e a suspensão de direitos políticos. Também restringiu garantias jurídicas de pessoas acusadas de crimes políticos.
O AI-5 marcou uma das fases mais repressivas da ditadura brasileira.
4. A economia melhorou durante a ditadura?
A resposta depende do período e do indicador analisado.
Entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, o Brasil viveu o chamado milagre econômico, período de forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), expansão industrial e grandes obras de infraestrutura.
Entretanto, o crescimento não beneficiou todos da mesma forma. Houve concentração de renda, arrocho salarial em determinados períodos, aumento da dívida externa e dificuldades econômicas que se agravaram nos anos seguintes.
Na década de 1980, o país enfrentou inflação elevada, endividamento e estagnação econômica. Portanto, o crescimento de alguns anos não significa que toda a população tenha experimentado melhora equivalente nas condições de vida.
5. Quem foram os presidentes militares?
Humberto Castelo Branco
1964–1967
Primeiro presidente militar após o golpe. Consolidou as bases institucionais do novo regime.
Artur da Costa e Silva
1967–1969
Seu governo decretou o AI-5, em 1968.
Emílio Garrastazu Médici
1969–1974
Governou durante o período de maior repressão política e do chamado milagre econômico.
Ernesto Geisel
1974–1979
Iniciou uma abertura política controlada, embora a repressão continuasse.
João Baptista Figueiredo
1979–1985
Governou durante a fase final da abertura política e da transição para a democracia.
6. Como a ditadura terminou?
A partir do final dos anos 1970, cresceram as mobilizações populares por liberdade política, anistia e eleições democráticas. Sindicatos, estudantes, artistas, organizações civis e partidos de oposição tiveram papel importante nesse processo.
Em 1984, o movimento Diretas Já reuniu multidões em diversas cidades, exigindo eleições diretas para presidente. A emenda que permitiria a eleição direta não foi aprovada naquele ano.
Em janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente indiretamente pelo Colégio Eleitoral. Como adoeceu antes de tomar posse e morreu em abril daquele ano, seu vice, José Sarney, assumiu a Presidência em março, dando início ao governo civil. A Constituição de 1988 consolidou uma nova etapa democrática.
7. Quantas pessoas foram vítimas da repressão?
A Comissão Nacional da Verdade identificou 434 mortos e desaparecidos políticos relacionados à repressão estatal no período investigado. Esse número não representa todas as pessoas atingidas: milhares foram presas, torturadas, perseguidas, exiladas ou tiveram direitos políticos retirados. Povos indígenas, trabalhadores rurais e outros grupos também sofreram graves violações.
Por que ainda existe debate sobre a ditadura?
Algumas pessoas enfatizam o crescimento econômico, as obras públicas e a ideia de ordem defendida pelo regime. Outras destacam a ausência de eleições presidenciais diretas, a censura, a perseguição política e as violações de direitos humanos.
É possível estudar as políticas econômicas e as obras realizadas naquele período sem ignorar o funcionamento autoritário do governo. Historicamente, o Brasil viveu uma ditadura porque o poder não era disputado em eleições presidenciais livres e o Estado restringia direitos fundamentais e reprimia opositores.