Nesta quarta-feira (7), Israel marca três anos dos ataques de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas e outros grupos armados atacaram comunidades no sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e levando 251 reféns para Gaza.
Para os sobreviventes que retornaram, porém, o fim do cativeiro não significou o fim do sofrimento. Pesadelos, medo, lembranças do período em túneis e dificuldade para retomar a rotina continuam fazendo parte da vida de alguns ex-reféns.
A difícil volta à normalidade
Entre os sobreviventes estão os irmãos gêmeos Gali e Ziv Berman, sequestrados em Kfar Aza e mantidos em Gaza por cerca de dois anos. Depois da libertação, eles precisaram lidar com as consequências físicas e emocionais do período em cativeiro.
Hoje, os irmãos tentam reconstruir suas vidas: Gali voltou aos estudos e Ziv iniciou um novo relacionamento. Eles também passaram a viajar e aproveitar atividades que faziam parte de suas vidas antes do sequestro.
Mesmo assim, as lembranças continuam presentes. Gali afirma que o tempo no cativeiro sempre fará parte dele, enquanto os dois procuram aproveitar a liberdade e permanecer próximos da família.
Para outros sobreviventes, pequenas coisas ganharam outro significado
Emily Hand, sequestrada aos 8 anos e mantida em Gaza durante 50 dias, encontrou no surfe terapêutico uma forma de lidar com as lembranças traumáticas.
Aos 11 anos, ela ainda relata medo do escuro e de ficar sozinha durante a noite e ocasionalmente acorda depois de sonhos relacionados ao 7 de outubro. Na água, porém, diz sentir-se mais forte e tranquila.
Já Emily Damari, sequestrada ferida em Kfar Aza e libertada em janeiro de 2025, transformou parte da experiência em uma tentativa de reconstrução pessoal. Ela se casou e lançou uma marca de roupas, dizendo que concentrar-se em novos projetos ajuda a manter a mente em um lugar positivo.
️ Três anos depois
O trauma permanece não apenas entre os ex-reféns, mas também entre familiares e comunidades atingidas pelos ataques. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou nesta quarta-feira que sobreviventes ainda carregam profundas cicatrizes físicas e emocionais decorrentes do episódio.
Para muitos sobreviventes, superar o trauma não significa simplesmente esquecer o que aconteceu. É, sobretudo, aprender a reconstruir uma vida depois de uma experiência que mudou completamente sua relação com segurança, liberdade e rotina.