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SÔNIA GUAJAJARA REPUDIA FALA DE EDUARDA CAMPOPIANO SOBRE INDÍGINAS
Por JOAO BISPO
Publicado em 06/10/2026 09:59
Notícia

A deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL-SP) anunciou que pretende levar ao Ministério Público Federal (MPF) declarações feitas pela vereadora de Praia Grande e deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), que associou povos indígenas ao canibalismo, sacrifícios e violência contra crianças.

O que Eduarda Campopiano disse?

As declarações foram feitas em maio de 2026, durante participação da então vereadora no podcast RedCast. Campopiano afirmou que, sem a catequização promovida durante a colonização portuguesa, povos indígenas estariam praticando canibalismo no Brasil.

Ela também declarou que agradecia a Deus pela colonização e pela catequização dos povos indígenas, relacionando a chegada dos europeus ao fim de práticas que descreveu como sacrifícios, canibalismo e enterro de crianças.

A fala provocou reação de lideranças indígenas. A artista e ativista indígena Katú Mirim registrou anteriormente um boletim de ocorrência, acusando Campopiano de racismo.

️ O que Sônia Guajajara respondeu?

Guajajara classificou as declarações como discriminatórias e ofensivas e afirmou que associar genericamente os povos indígenas a essas práticas contribui para uma representação desumanizante dessas populações.

A assessoria jurídica da deputada informou que pretende apresentar uma notícia-crime ao MPF e também cobrar providências relacionadas ao boletim de ocorrência registrado anteriormente por Katú Mirim.

Guajajara também argumenta que pessoas que ocupam cargos públicos devem respeitar a diversidade, a liberdade religiosa e os direitos das minorias.

⚠️ E a questão histórica?

Existe um ponto importante nessa discussão: houve, historicamente, diferentes práticas culturais e rituais entre determinados povos indígenas das Américas, e relatos de antropólogos e cronistas mencionam casos de antropofagia ritual em alguns grupos.

Isso, porém, não permite generalizar a prática para “os indígenas” como um todo, muito menos apresentar povos indígenas contemporâneos como se fossem responsáveis coletivamente por práticas atribuídas a determinados grupos e períodos históricos.

É justamente essa generalização que está no centro da reação de Guajajara.

Quem é Eduarda Campopiano?

Campopiano tem 23 anos, foi vereadora de Praia Grande e, nas eleições de 4 de outubro de 2026, foi eleita deputada estadual em São Paulo. Ela recebeu 1.956.238 votos, tornando-se a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa paulista.

O episódio ganhou ainda mais repercussão depois da eleição porque as declarações, feitas meses antes, voltaram a circular nas redes sociais.

 

Importante: a apresentação das falas como racistas ou discriminatórias é objeto de manifestações e medidas jurídicas das denunciantes; eventual responsabilidade criminal dependerá da apuração das autoridades e das decisões judiciais. 

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