
O caso de Mary Bell aconteceu no Reino Unido, no final da década de 1960, e chamou atenção mundial porque a autora dos crimes era uma criança.
Mary Flora Bell nasceu em 1957, em Newcastle upon Tyne, na Inglaterra. Em 1968, quando tinha apenas 10 e 11 anos, ela esteve envolvida na morte de dois meninos pequenos.
️ O que aconteceu?
As vítimas foram:
- Martin Brown, de 4 anos, encontrado morto em 25 de maio de 1968, em uma casa abandonada.
- Brian Howe, de 3 anos, morto em 31 de julho de 1968 e encontrado posteriormente em uma área próxima à residência onde vivia.
As investigações apontaram que os dois meninos haviam sido asfixiados/estrangulados. Mary Bell foi acusada junto com uma vizinha, Norma Bell, de 13 anos.
⚖️ O julgamento
O julgamento começou em dezembro de 1968, em Newcastle.
Mary tinha apenas 11 anos. A promotoria sustentou que as mortes haviam sido cometidas por prazer e excitação, mas a defesa apresentou questões relacionadas à responsabilidade mental da menina.
O júri acabou não considerando Mary culpada de assassinato, mas a condenou por manslaughter — uma categoria do direito inglês que, naquele contexto, correspondia à morte causada sem a mesma responsabilidade exigida para uma condenação por murder.
O júri considerou que ela apresentava responsabilidade diminuída. Norma Bell foi absolvida das acusações.
O que aconteceu com Mary depois?
Mary recebeu uma sentença de detenção por tempo indeterminado, ficando sob custódia do Estado. Passou por diferentes instituições e permaneceu detida durante aproximadamente 12 anos.
Em 1980, aos 23 anos, foi libertada sob licença.
Durante o período de detenção, houve inclusive um episódio em 1977, quando ela deixou sem autorização uma prisão aberta. Ela acabou retornando à custódia.
E como ela está hoje?
Aqui existe uma particularidade importante: Mary Bell recebeu anonimato judicial vitalício.
Em 2003, a Justiça britânica determinou que sua identidade e a identidade de sua filha deveriam permanecer protegidas. A decisão considerou, entre outros fatores, o risco de perseguição e assédio da imprensa.
Por isso, não há informações públicas confiáveis sobre onde Mary Bell vive atualmente, qual é sua aparência atual ou como é sua vida cotidiana. Divulgar supostos nomes ou endereços atribuídos a ela não seria confiável.
O que se sabe oficialmente é que, após sua libertação, ela passou a viver sob uma identidade protegida e permaneceu sob licença vitalícia, segundo informações apresentadas ao Parlamento britânico em 1998.
Linha do tempo
1957 — nascimento de Mary Bell.
1968 — mortes de Martin Brown e Brian Howe.
Dezembro de 1968 — julgamento e condenação por manslaughter.
1977 — deixa uma prisão aberta sem autorização e posteriormente retorna.
1980 — libertada aos 23 anos.
1998 — sua identidade volta a ser alvo de intensa exposição da imprensa.
2003 — Justiça concede anonimato vitalício a Mary Bell e sua filha.
O caso permanece um dos episódios criminais mais estudados da história britânica justamente pela combinação de idade extremamente baixa da autora, mortes de crianças pequenas, questões sobre responsabilidade criminal infantil e posterior debate sobre reabilitação e direito à privacidade.