
Óscar Romero (1980)
El Salvador
Óscar Arnulfo Romero y Galdámez foi arcebispo de San Salvador e se tornou uma das figuras religiosas mais influentes da América Latina no século XX. Inicialmente visto como um líder conservador, passou a denunciar publicamente violações de direitos humanos após testemunhar o aumento da violência política no país.
Durante seus sermões, transmitidos pelo rádio para todo El Salvador, Romero criticava assassinatos, desaparecimentos forçados, torturas e a repressão promovida por forças de segurança e grupos paramilitares durante o período que antecedeu a guerra civil salvadorenha.
O assassinato
Em 24 de março de 1980, Romero foi assassinado com um tiro no peito enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, em San Salvador. O crime ocorreu um dia após ele fazer um apelo histórico aos soldados para que não obedecessem ordens de matar civis.
Motivo: suas críticas ao governo, à violência política e à repressão militar fizeram dele um alvo de setores da extrema direita e de esquadrões da morte.
Um crime que marcou o mundo
O assassinato provocou indignação internacional e é considerado um dos episódios mais simbólicos da história recente da América Latina. Dias depois, durante seu funeral, uma multidão reunida na praça da Catedral Metropolitana de San Salvador foi atingida por disparos e explosões, causando dezenas de mortes e centenas de feridos.
Caso nunca totalmente esclarecido por anos: durante décadas, os responsáveis permaneceram impunes em razão da guerra civil e de uma lei de anistia aprovada após o conflito. Investigações posteriores concluíram que o homicídio foi planejado por integrantes de esquadrões da morte ligados à extrema direita. Roberto D'Aubuisson foi apontado por uma comissão da ONU como o mandante do assassinato, embora nunca tenha sido condenado judicialmente.
Legado
Óscar Romero tornou-se um símbolo mundial da defesa dos direitos humanos, da justiça social e da proteção dos mais vulneráveis.
Em 2015, foi beatificado pela Igreja Católica e, em 2018, foi canonizado pelo Papa Francisco, passando a ser conhecido como São Óscar Romero, reconhecido como mártir por ter sido morto "por ódio à fé" enquanto exercia seu ministério religioso.
