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SETEMBRO AMARELO: BULLYING E SAÚDE MENTAL
Por JOAO BISPO
Publicado em 11/09/2026 09:46
Setembro Amarelo

 

O bullying não é apenas uma “brincadeira de criança”. Quando uma pessoa é repetidamente humilhada, excluída, ameaçada ou alvo de agressões físicas, verbais ou virtuais, os efeitos podem ultrapassar o momento da agressão e atingir profundamente sua saúde mental.

Durante o Setembro Amarelo, falar sobre bullying é importante porque crianças e adolescentes que sofrem violência entre pares podem passar a enfrentar medo, vergonha, solidão, ansiedade, queda da autoestima e dificuldades escolares e sociais.

O que o bullying pode provocar?

A exposição contínua ao bullying pode estar associada a:

  • tristeza e sofrimento emocional;
  • ansiedade e medo de frequentar determinados lugares;
  • isolamento social;
  • baixa autoestima;
  • dificuldade de concentração e queda no desempenho escolar;
  • alterações no sono e no apetite;
  • sentimentos de vergonha, culpa ou inadequação;
  • maior risco de sintomas depressivos e outros problemas de saúde mental.

No ambiente escolar, a vítima pode começar a inventar desculpas para não ir à escola, evitar colegas, deixar de participar de atividades ou permanecer cada vez mais isolada.

O cyberbullying torna tudo ainda mais difícil

Quando a agressão acontece pela internet, o sofrimento pode acompanhar a vítima para dentro de casa.

Mensagens ofensivas, exposição de fotos, humilhações em grupos e comentários cruéis podem circular rapidamente e alcançar muitas pessoas. Além disso, a vítima pode sentir que não existe um lugar seguro para escapar da situação.

Crianças e adolescentes precisam ser ouvidos

Um dos maiores problemas é que muitas vítimas não contam o que está acontecendo.

Elas podem ter medo de sofrer novas represálias, acreditar que ninguém vai ajudá-las ou sentir vergonha do que aconteceu.

Por isso, mudanças persistentes de comportamento merecem atenção.

Uma criança que antes gostava de ir à escola e passa a demonstrar medo, isolamento ou sofrimento frequente pode estar enfrentando alguma situação que ainda não conseguiu verbalizar.

O que adultos podem fazer?

Pais, responsáveis, professores e outros adultos de confiança podem:

Escutar sem julgar: deixar a criança falar e levar seu relato a sério.

Não minimizar: frases como “isso é só brincadeira” podem aumentar a sensação de desamparo.

Comunicar a escola: situações de bullying precisam ser enfrentadas pelos adultos responsáveis, e não deixadas exclusivamente para a criança resolver.

❤️ Reforçar que a culpa não é da vítima: ninguém merece ser humilhado ou agredido.

Procurar ajuda profissional quando necessário: psicólogos e outros profissionais de saúde podem ajudar a criança ou adolescente a lidar com as consequências emocionais.

⚠️ E quando aparece sofrimento intenso?

Se uma criança ou adolescente começar a falar sobre morte, desaparecer, não querer mais viver ou se machucar, isso deve ser levado a sério.

Não é necessário esperar que a pessoa "tenha certeza" ou apresente um plano para procurar ajuda. Perguntar diretamente sobre o que ela está sentindo não coloca uma ideia suicida na cabeça dela e pode abrir espaço para uma conversa importante.

Em uma situação de risco imediato no Brasil, procure um serviço de emergência ou uma unidade de saúde. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Setembro Amarelo também é sobre prevenção

Combater o bullying não significa apenas punir quem agride. Significa construir ambientes onde crianças e adolescentes sejam respeitados, tenham adultos em quem confiar e possam pedir ajuda sem medo de serem ridicularizados.

Às vezes, uma frase simples como “eu acredito em você” pode ser o começo de uma mudança enorme.

 

Bullying não é brincadeira. Pedir ajuda não é fraqueza. E ninguém deveria enfrentar o sofrimento sozinho.

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