O bullying não é apenas uma “brincadeira de criança”. Quando uma pessoa é repetidamente humilhada, excluída, ameaçada ou alvo de agressões físicas, verbais ou virtuais, os efeitos podem ultrapassar o momento da agressão e atingir profundamente sua saúde mental.
Durante o Setembro Amarelo, falar sobre bullying é importante porque crianças e adolescentes que sofrem violência entre pares podem passar a enfrentar medo, vergonha, solidão, ansiedade, queda da autoestima e dificuldades escolares e sociais.
O que o bullying pode provocar?
A exposição contínua ao bullying pode estar associada a:
- tristeza e sofrimento emocional;
- ansiedade e medo de frequentar determinados lugares;
- isolamento social;
- baixa autoestima;
- dificuldade de concentração e queda no desempenho escolar;
- alterações no sono e no apetite;
- sentimentos de vergonha, culpa ou inadequação;
- maior risco de sintomas depressivos e outros problemas de saúde mental.
No ambiente escolar, a vítima pode começar a inventar desculpas para não ir à escola, evitar colegas, deixar de participar de atividades ou permanecer cada vez mais isolada.
O cyberbullying torna tudo ainda mais difícil
Quando a agressão acontece pela internet, o sofrimento pode acompanhar a vítima para dentro de casa.
Mensagens ofensivas, exposição de fotos, humilhações em grupos e comentários cruéis podem circular rapidamente e alcançar muitas pessoas. Além disso, a vítima pode sentir que não existe um lugar seguro para escapar da situação.
Crianças e adolescentes precisam ser ouvidos
Um dos maiores problemas é que muitas vítimas não contam o que está acontecendo.
Elas podem ter medo de sofrer novas represálias, acreditar que ninguém vai ajudá-las ou sentir vergonha do que aconteceu.
Por isso, mudanças persistentes de comportamento merecem atenção.
Uma criança que antes gostava de ir à escola e passa a demonstrar medo, isolamento ou sofrimento frequente pode estar enfrentando alguma situação que ainda não conseguiu verbalizar.
O que adultos podem fazer?
Pais, responsáveis, professores e outros adultos de confiança podem:
Escutar sem julgar: deixar a criança falar e levar seu relato a sério.
Não minimizar: frases como “isso é só brincadeira” podem aumentar a sensação de desamparo.
Comunicar a escola: situações de bullying precisam ser enfrentadas pelos adultos responsáveis, e não deixadas exclusivamente para a criança resolver.
❤️ Reforçar que a culpa não é da vítima: ninguém merece ser humilhado ou agredido.
Procurar ajuda profissional quando necessário: psicólogos e outros profissionais de saúde podem ajudar a criança ou adolescente a lidar com as consequências emocionais.
⚠️ E quando aparece sofrimento intenso?
Se uma criança ou adolescente começar a falar sobre morte, desaparecer, não querer mais viver ou se machucar, isso deve ser levado a sério.
Não é necessário esperar que a pessoa "tenha certeza" ou apresente um plano para procurar ajuda. Perguntar diretamente sobre o que ela está sentindo não coloca uma ideia suicida na cabeça dela e pode abrir espaço para uma conversa importante.
Em uma situação de risco imediato no Brasil, procure um serviço de emergência ou uma unidade de saúde. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Setembro Amarelo também é sobre prevenção
Combater o bullying não significa apenas punir quem agride. Significa construir ambientes onde crianças e adolescentes sejam respeitados, tenham adultos em quem confiar e possam pedir ajuda sem medo de serem ridicularizados.
Às vezes, uma frase simples como “eu acredito em você” pode ser o começo de uma mudança enorme.
Bullying não é brincadeira. Pedir ajuda não é fraqueza. E ninguém deveria enfrentar o sofrimento sozinho.