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MÉTODO CONTRACEPTIVO ANTIGO: COITO RESERVATUS
Por JOAO BISPO
Publicado em 09/09/2026 09:45
Curiosidades

  UM ANTIGO MÉTODO DE CONTROLE DA EJACULAÇÃO

Muito antes da camisinha, da pílula anticoncepcional e dos dispositivos intrauterinos, diferentes sociedades desenvolveram maneiras de tentar evitar a gravidez.

Uma dessas práticas ficou conhecida como coito reservatus — uma relação sexual na qual o homem procurava não ejacular durante a penetração.

A prática aparece associada a tradições sexuais e médicas antigas, especialmente em contextos culturais da China e da Índia, embora as descrições históricas e os significados atribuídos a ela variassem bastante de uma tradição para outra.

Como funcionava?

A ideia básica era manter a relação sexual e tentar impedir a ejaculação.

Isso podia envolver o controle voluntário da excitação e a interrupção da relação antes da ejaculação. Em algumas tradições, a prática também estava relacionada a crenças sobre a preservação da energia sexual e vitalidade masculina.

Ou seja, não era necessariamente encarada apenas como um método contraceptivo.

Na China antiga

Em algumas tradições chinesas ligadas ao taoismo, existiam práticas de controle da ejaculação.

Determinados textos e tradições valorizavam a ideia de controlar a emissão do sêmen, associando-a à conservação da energia vital masculina.

É importante, porém, não generalizar: essas ideias pertenciam a determinadas correntes e períodos históricos e não significam que todos os chineses utilizassem essa prática como contracepção.

E na Índia?

Na Índia antiga, práticas relacionadas ao controle sexual também aparecem em diferentes tradições.

Textos e escolas de pensamento discutiam técnicas de controle da excitação e da ejaculação, algumas delas associadas à disciplina sexual e espiritual.

Assim como na China, não devemos interpretar automaticamente essas práticas como equivalentes à contracepção moderna.

⚠️ Funcionava para evitar gravidez?

Não era um método confiável.

Mesmo sem ejaculação dentro da vagina, pode existir risco de gravidez porque o líquido pré-ejaculatório pode, em algumas circunstâncias, conter espermatozoides, especialmente quando há espermatozoides remanescentes na uretra.

Além disso, depender exclusivamente da capacidade de controlar a ejaculação torna o método sujeito a falhas.

Por isso, o chamado coito reservatus não oferece a mesma proteção contraceptiva dos métodos modernos.

Um detalhe histórico curioso

O controle da ejaculação também esteve relacionado a ideias que iam muito além da reprodução.

Em algumas tradições antigas, o sêmen era considerado algo associado à força vital, energia ou vitalidade masculina.

Assim, evitar a ejaculação poderia ser entendido como uma prática de disciplina corporal, espiritual ou energética — e não simplesmente como uma maneira de evitar filhos.

 

A história da contracepção mostra justamente isso: o desejo de controlar quando ter filhos é muito antigo — o que mudou radicalmente foram as tecnologias e o conhecimento científico disponíveis.

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