
Wilson Grassi Júnior, de 56 anos, é médico-veterinário e candidato à Presidência da República pelo Democrata, partido que mudou de nome em 2025. A candidatura foi oficializada em agosto de 2026. A chapa tem Suêd Haidar como vice.
O programa de governo de Grassi tem como um dos principais eixos a ideia de reduzir a burocracia, simplificar impostos e digitalizar o Estado. Entre as propostas mais relevantes estão:
1. Imposto único federal
Uma das principais propostas é substituir diversos tributos federais por um Imposto Único Federal (IUF), cobrado sobre transações financeiras.
A ideia, segundo o candidato, seria simplificar o sistema tributário e reduzir a sonegação.
Ele também propõe isentar do Imposto de Renda quem recebe até cinco salários mínimos.
2. Extinção da CLT e da Justiça do Trabalho
Uma das propostas mais controversas de Grassi é acabar com a CLT e com a Justiça do Trabalho.
O candidato argumenta que a redução dos encargos e da burocracia trabalhista permitiria às empresas pagar salários maiores.
Essa proposta, porém, não é consenso nem mesmo dentro da discussão sobre seu próprio plano de governo, e representa uma mudança radical no modelo atual de relações trabalhistas.
3. "Saúde Única": animais integrados ao SUS
Por ser veterinário e atuar na defesa da causa animal, Grassi coloca a saúde animal no centro de sua plataforma.
Ele propõe o conceito de "Saúde Única", aproximando políticas de saúde humana, animal e ambiental.
Na prática, a ideia é ampliar a participação do poder público em políticas veterinárias e de controle de doenças que podem afetar tanto animais quanto seres humanos.
4. Portabilidade do aluguel
Outra proposta é permitir uma espécie de "portabilidade do aluguel", utilizando o histórico de pagamentos de aluguel como elemento para facilitar o acesso ao financiamento habitacional.
A intenção é transformar o histórico de quem paga aluguel em uma ferramenta para ajudar na aquisição da casa própria.
5. Mudanças na pesquisa científica
Grassi também apresenta a chamada "PEC da Pesquisa", que propõe transformar bolsistas de pesquisa em servidores, buscando dar maior estabilidade aos profissionais envolvidos com ciência e pesquisa.
6. Combate às facções criminosas
Na segurança pública, o programa prevê medidas para asfixiar financeiramente e logisticamente organizações criminosas.
Ele também defende a realização de um plebiscito nacional sobre a adoção de prisões de segurança máxima.
⛏️ 7. Mineração em terras indígenas
O programa abre espaço para discutir mudanças no regime legal de mineração em terras indígenas.
Grassi argumenta que a regulamentação permitiria maior controle sobre atividades que atualmente ocorrem de maneira ilegal. É uma proposta particularmente sensível por envolver direitos indígenas, meio ambiente e exploração mineral.
8. Bolsa Família de R$ 2 mil — com uma condição polêmica
Fora das propostas mais tradicionais do programa, Grassi também defende elevar o Bolsa Família para R$ 2 mil.
Porém, ele propõe que beneficiários do programa percam o direito de votar, uma ideia que provocou forte controvérsia e que enfrentaria obstáculos constitucionais, já que o voto é um direito político garantido pela Constituição.
9. "Meu Botox, Minha Vida"
Entre suas propostas mais inusitadas está o "Meu Botox, Minha Vida", que prevê aplicação gratuita de toxina botulínica para mulheres de baixa renda.
Segundo Grassi, o programa poderia ser financiado por tributação sobre cosméticos ou pela redução de recursos destinados ao financiamento público de campanhas.
️ 10. Salário de R$ 1 milhão para parlamentares
Outra proposta bastante polêmica é aumentar o salário de deputados e senadores para R$ 1 milhão por mês, em troca do fim das emendas parlamentares e de outras verbas e benefícios públicos.
Grassi afirma que isso poderia gerar uma economia de aproximadamente R$ 300 bilhões por ano, cálculo que é uma estimativa apresentada pelo próprio candidato.