DEPOIS DO SILÊNCIO
Dependência emocional: quando amar começa a significar precisar.
Existe uma diferença importante entre amar alguém e acreditar que não consegue viver sem essa pessoa.
A dependência emocional pode fazer com que o relacionamento passe a ocupar um espaço tão grande na vida que a mulher começa, aos poucos, a deixar de olhar para si mesma.
Ela pode sentir medo constante de perder o parceiro, dificuldade de ficar sozinha, necessidade excessiva de aprovação, aceitar situações que lhe fazem mal para evitar o término ou colocar as necessidades do outro sempre acima das suas.
E existe uma pergunta que pode ajudar a refletir:
“Eu estou escolhendo permanecer nessa relação ou estou com medo de não conseguir existir sem ela?”
A dependência emocional não acontece simplesmente porque alguém ama demais. Ela pode estar relacionada à história de vida, à autoestima, às experiências afetivas e à forma como cada pessoa aprendeu a estabelecer vínculos.
Por isso, não devemos transformar essa questão em culpa.
Uma mulher que permanece em uma relação que lhe faz mal não é necessariamente fraca, ingênua ou incapaz de tomar decisões. Muitas vezes, existe um sofrimento emocional profundo por trás dessa permanência.
Também é importante lembrar que dependência emocional e violência podem aparecer juntas, mas não são a mesma coisa. A violência é responsabilidade de quem a pratica. Compreender a dependência pode ajudar a mulher a perceber suas próprias necessidades e buscar caminhos de fortalecimento.
Um relacionamento saudável não deveria fazer você desaparecer para que o outro permaneça.
Amar alguém não deveria significar abandonar seus amigos, seus sonhos, sua autonomia, sua identidade ou seus limites.
Você pode amar alguém e ainda assim escolher a si mesma.
O primeiro passo para romper um ciclo nem sempre é conseguir ir embora imediatamente. Às vezes, começa quando você consegue reconhecer:
“ Eu também preciso cuidar de mim.”
E, a partir daí, construir novamente uma relação consigo mesma baseada em respeito, autonomia e dignidade.
Depois do Silêncio
Uma conversa sobre mulheres, relações e recomeços.
Katia Santos | Psicóloga
CRP 132502/06
@psicologakatiasantos