Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
JUSTIÇA DE SP REVERTE DECISÃO DE TARCÍSIO DE FREITAS E IMPEDE DEMISSÃO DE DELEGADO DA CUNHA
Por JOAO BISPO
Publicado em 04/09/2026 15:12
Notícia

A disputa envolvendo o deputado federal e delegado da Polícia Civil Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, ganhou uma reviravolta poucas horas depois de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, determinar sua demissão da corporação.

Na quinta-feira (3), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu uma liminar suspendendo os efeitos da decisão do governador. Com isso, a demissão não pode ser formalizada ou executada enquanto a Justiça analisa a legalidade do processo administrativo.

O que Tarcísio havia decidido?

A demissão foi publicada no Diário Oficial de São Paulo e estabelecia a saída de Da Cunha da Polícia Civil “a bem do serviço público”.

O parlamentar estava respondendo a um processo disciplinar desde 2020. A Polícia Civil havia recomendado sua demissão em 2022, mas o processo permaneceu em análise no governo estadual por anos.

Entre as acusações investigadas estão a utilização da estrutura policial para produção de conteúdo para as redes sociais e uma encenação envolvendo uma vítima de sequestro, que teria sido levada novamente ao cativeiro para a gravação de imagens destinadas às redes de Da Cunha.

Ele também já havia sido alvo de outros procedimentos disciplinares, incluindo acusações relacionadas à divulgação de informações e à forma como conduzia ações policiais para produção de vídeos.

Por que a Justiça suspendeu a demissão?

A defesa de Da Cunha alegou que houve irregularidades no processo administrativo disciplinar.

O principal argumento é que novos elementos teriam sido acrescentados ao processo depois do encerramento da fase de instrução e da apresentação das alegações finais.

Segundo a decisão do desembargador Álvaro Torres Júnior, do Órgão Especial do TJ-SP, existe uma possível violação ao contraditório e ao devido processo legal, que precisa ser examinada com mais profundidade.

Ou seja: a Justiça não declarou que Da Cunha é inocente das acusações.

O que foi determinado, por enquanto, é que a demissão fique suspensa até que seja analisado se o processo administrativo respeitou todas as garantias legais.

⚖️ A decisão é definitiva?

Não.

A decisão é uma liminar, portanto provisória.

O caso ainda será analisado pelo Órgão Especial do TJ-SP, que deverá avaliar a questão de forma mais aprofundada. O governo também deverá prestar informações à Justiça.

E Da Cunha continua deputado?

Sim. E aqui existe uma diferença importante.

Da Cunha está atualmente licenciado da Polícia Civil para exercer o mandato de deputado federal. Ele foi eleito em 2022 e, portanto, a disputa sobre sua condição de delegado ocorre paralelamente ao exercício do mandato parlamentar.

A demissão teria impacto principalmente sobre a possibilidade de ele voltar à carreira policial caso deixe o mandato parlamentar no futuro.

A reviravolta em poucas horas

A sequência foi rápida:

➡️ 3 de setembro: Tarcísio determina a demissão de Da Cunha.

➡️ A decisão é publicada no Diário Oficial.

➡️ A defesa recorre à Justiça.

➡️ TJ-SP concede liminar.

➡️ A demissão fica suspensa temporariamente.

 

Portanto, Tarcísio decidiu demitir, mas a Justiça suspendeu os efeitos da decisão antes que o desligamento pudesse se consolidar definitivamente.

Comentários