Cerca de 160 mil mulheres e meninas que vivem nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, no Nepal, foram afetadas direta ou indiretamente pelas devastadoras enchentes que atingiram a região. O número foi divulgado nesta sexta-feira (28) pela ONU Mulheres (UN Women).
A tragédia começou em 26 de agosto, quando uma enorme inundação atingiu áreas montanhosas do Nepal, após um fenômeno associado ao colapso de gelo e rochas de uma geleira, provocando uma onda de água, lama e detritos que destruiu casas, estradas e pontes.
Por que mulheres e meninas estão especialmente vulneráveis?
Segundo a ONU Mulheres, desastres naturais podem aprofundar desigualdades que já existem. Entre os principais riscos estão:
- maior exposição à violência e exploração;
- dificuldade de acesso a serviços de saúde;
- falta de água potável e produtos de higiene;
- aumento da pobreza e da insegurança alimentar;
- sobrecarga com tarefas domésticas e cuidados com crianças e familiares;
- maior dificuldade para buscar ajuda quando estão deslocadas ou isoladas.
A agência também alerta que mulheres e meninas podem enfrentar riscos adicionais quando ficam sem moradia, separadas de familiares ou dependentes de abrigos temporários.
Uma tragédia de grandes proporções
A dimensão do desastre continua sendo atualizada. Mais de 90 mil pessoas estão em situação de necessidade humanitária, segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha, enquanto milhares de pessoas permanecem desaparecidas.
A UNICEF também informou que pelo menos 17 mil crianças precisam urgentemente de assistência humanitária. Escolas foram destruídas ou danificadas e há preocupação com doenças, desnutrição, violência e exploração.
️ O desastre ainda não terminou
As equipes de resgate enfrentam dificuldades devido ao terreno montanhoso e à destruição de estradas e pontes. Além disso, existe preocupação com novas inundações, porque o desastre criou lagos e barreiras naturais que podem romper e provocar novas ondas de água.