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TRABALHADORA DOMÉSTICA É RESGATADA APÓS 40 ANOS SEM RECEBER SALÁRIO
Por JOAO BISPO
Publicado em 28/08/2026 16:04
Notícia

O caso aconteceu em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, e veio a público nesta quinta-feira (27). Uma mulher de 51 anos foi resgatada após passar cerca de 40 anos trabalhando em uma residência sem receber salário, em uma situação investigada como análoga à escravidão.

O que aconteceu?

Segundo as informações divulgadas, a mulher começou a trabalhar na casa quando tinha apenas 11 anos. Ela realizava tarefas como:

  • limpeza da residência;
  • preparo de refeições;
  • lavagem de roupas;
  • jardinagem;
  • serviços gerais.

Ela teria passado décadas sem registro formal e sem receber salário regularmente.

A situação teria começado quando ela ainda era criança, em um contexto de vulnerabilidade econômica da família. A proposta apresentada teria sido a de que ela poderia morar no local em troca dos serviços domésticos.

Condições de vida

As autoridades encontraram condições consideradas precárias. A mulher vivia em um cômodo separado da residência principal, com problemas estruturais, incluindo mofo e infestação de cupins.

Outro ponto investigado é que, há aproximadamente dez anos, ela não teria acesso independente ao portão da residência, dependendo de outras pessoas para entrar e sair.

Segundo os relatos divulgados, ela também não tinha cozinha própria e, em determinadas situações, dependia da família para conseguir acesso à alimentação.

Ela começou ainda criança

Um dos aspectos mais graves do caso é que a exploração teria começado durante a infância.

Segundo o relato apresentado às autoridades, ela acordava por volta das 6h para começar as tarefas, interrompia o trabalho para ir à escola e, ao retornar, voltava a trabalhar.

Ou seja, não se trata apenas de uma relação trabalhista irregular: a investigação aponta para décadas de exploração iniciadas quando a vítima ainda era menor de idade.

Ela também trabalhou em um consultório da família

A investigação aponta ainda que, entre 2012 e 2020, ela teria trabalhado em um consultório odontológico ligado à família.

Ela atuava de segunda a sábado, realizando limpeza e outras tarefas de apoio, também sem registro formal adequado e por uma remuneração considerada irrisória.

⚖️ O que significa "trabalho análogo à escravidão"?

No Brasil, trabalho análogo à escravidão não significa necessariamente que a pessoa esteja acorrentada ou fisicamente presa.

A legislação considera elementos como condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, restrição da liberdade e servidão por dívida, entre outras situações que retirem da pessoa condições mínimas de dignidade e liberdade.

No trabalho doméstico, a situação pode ser ainda mais difícil de identificar porque a exploração acontece dentro de uma residência particular e muitas vezes durante muitos anos.

‍♀️ O que aconteceu com ela?

A operação contou com a atuação de órgãos públicos, incluindo autoridades de fiscalização e investigação. A mulher foi retirada da situação de exploração e encaminhada para atendimento e acolhimento.

As autoridades investigam agora a responsabilidade dos envolvidos e os direitos trabalhistas e demais reparações que podem ser devidos à vítima.

 

O caso chama atenção justamente porque mostra como a exploração pode ser naturalizada durante décadas: uma criança entra em uma casa para "ajudar" e, quando adulta, continua realizando trabalho doméstico sem salário, sem direitos e com sua liberdade limitada. A expressão "é como se fosse da família" não elimina uma relação de trabalho nem autoriza a exploração de uma pessoa.

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