A Geração Z está colocando estabilidade financeira e moradia entre as prioridades antes de casar ou ter filhos, segundo o estudo “Life Aspirations 2026”, da Ipsos. A pesquisa ouviu 22.693 pessoas em 30 países e mostra que os jovens não abandonaram os sonhos considerados tradicionais — mas estão adiando esses planos diante das dificuldades econômicas.
A casa própria ganhou importância
No Brasil, 67% dos jovens da Geração Z afirmam que esperam ter um imóvel próprio, percentual superior à média global. Além disso, 58% dos brasileiros dizem que ficariam muito ou um pouco tristes caso não conseguissem comprar uma casa.
O desejo por estabilidade não significa necessariamente que eles rejeitem casamento ou filhos. Globalmente, 60% da Geração Z ainda esperam ter uma casa própria, enquanto mais da metade espera se casar e metade espera ter filhos.
Por que essa mudança?
O principal fator parece ser econômico. Aluguéis elevados, dificuldade para juntar dinheiro, custo de vida e insegurança profissional fazem com que muitos jovens prefiram construir uma base financeira antes de assumir compromissos de longo prazo.
Outra pesquisa, da Deloitte, mostra que 45% dos brasileiros da Geração Z disseram ter adiado decisões importantes por insegurança econômica. Entre as decisões estão justamente comprar uma casa, casar e começar uma família.
Eles não desistiram da família
Esse é um dos pontos mais interessantes da pesquisa: não parece ser uma rejeição à família, mas uma mudança na ordem das prioridades.
A lógica seria:
1. Conseguir estabilidade financeira
↓
2. Ter independência e moradia
↓
3. Construir uma carreira sustentável
↓
4. Casar e/ou ter filhos
Ou seja, muitos jovens querem primeiro ter condições para sustentar o estilo de vida que imaginam antes de assumir responsabilidades familiares.
E isso também aparece no trabalho
A pesquisa da Deloitte indica que a Geração Z brasileira continua interessada em crescer profissionalmente: 69% dizem ter interesse em assumir uma posição de liderança em algum momento. Porém, apenas 6% colocam a liderança como prioridade profissional.
O foco maior está em equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, estabilidade, desenvolvimento de habilidades e bem-estar.
O que isso revela?
A mudança pode ser resumida como uma espécie de “primeiro construir a base, depois assumir grandes compromissos”.
A Geração Z cresceu em um cenário marcado por crises econômicas, pandemia, aumento do custo de moradia e transformações rápidas no mercado de trabalho. Por isso, objetivos como casamento e filhos continuam existindo, mas muitos jovens consideram necessário alcançar segurança financeira e emocional antes.
Portanto, dizer que a Geração Z “não quer ter família” seria uma simplificação. Os dados apontam mais para uma geração que quer escolher quando e como formar uma família — e não necessariamente seguir a sequência tradicional de etapas da vida.