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PESSOA INFLUENTE: RAQUEL WILLIS
Por JOAO BISPO
Publicado em 21/08/2026 08:12
Personalidades do dia

Raquel Willis é escritora, jornalista, estrategista de mídia e ativista americana. Seu trabalho é especialmente voltado para a defesa das pessoas negras trans, mas sua atuação também aborda direitos humanos, autonomia corporal, feminismo, racismo e justiça social.

A dimensão de sua influência ficou ainda mais evidente em 2025, quando ela foi escolhida pela revista TIME para a lista TIME100 — as 100 pessoas mais influentes do mundo, além de ser nomeada TIME Woman of the Year.

✊ Por que ela se tornou tão influente?

Willis conseguiu unir três áreas que normalmente aparecem separadas: ativismo, jornalismo e comunicação.

Ela entende que mudar uma sociedade não depende apenas de leis, mas também de quem conta as histórias, quais vidas recebem visibilidade e quais grupos conseguem participar das decisões políticas.

Antes de se tornar uma figura internacional, trabalhou como organizadora nacional do Transgender Law Center. Depois, tornou-se a primeira mulher negra trans a ocupar um cargo editorial sênior na revista Out, uma publicação importante da comunidade LGBTQ+.

Ela transformou jornalismo em ferramenta de ativismo

Um dos trabalhos mais importantes de Willis foi o Trans Obituaries Project, criado para documentar e chamar atenção para a violência contra mulheres trans de cor.

A iniciativa ganhou um GLAAD Media Award e ajudou a colocar no debate público não apenas as estatísticas de violência, mas também as histórias e a humanidade das vítimas.

Para Willis, contar essas histórias é uma forma de combater o apagamento histórico.

️‍⚧️ Marcha por vidas negras trans

Em 2020, ela participou da organização da Brooklyn Liberation: A March for Black Trans Lives, uma das maiores manifestações lideradas por pessoas trans nos Estados Unidos.

O evento reuniu milhares de pessoas em Nova York e colocou no centro do debate a violência sofrida por pessoas negras trans.

A atuação de Willis também ajudou a fortalecer a ideia de que a luta contra o racismo e a luta pelos direitos LGBTQ+ podem estar conectadas.

O livro que conta sua própria trajetória

Em 2023, Willis publicou The Risk It Takes to Bloom: On Life and Liberation.

O livro mistura memórias pessoais, identidade, racismo, gênero e ativismo, contando sua trajetória desde Augusta, na Geórgia, até sua transformação em uma das principais vozes do movimento pelos direitos das pessoas trans.

O próprio título — O risco necessário para florescer — resume uma de suas ideias centrais: viver de forma autêntica pode exigir coragem, especialmente quando a sociedade tenta impor limites à identidade de uma pessoa.

Gender Liberation Movement

Willis também é cofundadora e diretora estratégica do Gender Liberation Movement, organização que trabalha com temas como autonomia corporal, autodeterminação e liberdade de gênero.

Em 2024, o movimento ajudou a organizar a Gender Liberation March, em Washington, reunindo ativistas em defesa dos direitos reprodutivos e trans.

️ Ela também atua na mídia

A atuação de Willis não está restrita às manifestações.

Ela é produtora e apresentadora de podcasts e participou da criação da Outspoken, primeira rede de podcasts LGBTQ+ da iHeartMedia.

Também apresenta projetos como Afterlives, dedicado à memória e à história negra LGBTQ+, e Queer Chronicles.

⚖️ Uma voz contra o avanço de restrições aos direitos trans

Nos últimos anos, Willis se tornou uma das vozes mais críticas às políticas que restringem direitos de pessoas trans nos Estados Unidos.

Em 2025, durante o evento TIME100, falou sobre a necessidade de resistência e organização comunitária diante das políticas do segundo governo Donald Trump que afetam pessoas trans.

Ela também participou de manifestações e ações diretas. A TIME relata, por exemplo, que Willis foi presa em 2024 após participar de um protesto no Capitólio contra uma proposta relacionada ao acesso de mulheres trans a banheiros femininos em propriedades federais.

Por que ela entrou para a TIME100?

A TIME destacou justamente a capacidade de Willis de fazer o ativismo ultrapassar os limites de uma única pauta.

Sua influência está em transformar experiências de pessoas negras e trans em discussões maiores sobre liberdade, dignidade, representação e poder político.

Ela não é influente apenas porque participa de manifestações. Ela escreve, organiza movimentos, produz mídia, cria espaços de debate e influencia a maneira como determinadas questões são apresentadas ao público.

Qual é o legado de Raquel Willis?

O principal legado de Willis ainda está sendo construído, mas pode ser resumido em quatro pontos:

1. Dar visibilidade às pessoas negras trans
Ela ajudou a colocar essas experiências no centro do debate público.

2. Transformar histórias em ferramentas políticas
Seu jornalismo e seus livros mostram como narrativas podem influenciar a percepção social.

3. Conectar diferentes lutas sociais
Racismo, transfobia, feminismo, autonomia corporal e direitos humanos aparecem em seu trabalho como questões interligadas.

 

4. Criar novas formas de ativismo
Willis combina protesto, jornalismo, redes sociais, podcasts, literatura e organização comunitária.

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