Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
JORNALISTA E EX- GUIRRELHEIRO CELSO LUNGARETTI MORRE EM SP AOS 75 ANOS
Por JOAO BISPO
Publicado em 20/07/2026 09:00
Falecimentos

O jornalista, escritor e ex-guerrilheiro Celso Lungaretti morreu aos 75 anos, em São Paulo. Ele estava internado havia cerca de três semanas no HCor após sofrer uma queda em casa que resultou na fratura do fêmur. Apesar de ter sido submetido a uma cirurgia, complicações no período pós-operatório agravaram seu estado de saúde.

Lungaretti ficou conhecido por sua atuação na resistência à ditadura militar brasileira. Ainda muito jovem, integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização da luta armada contra o regime. Em 1970, foi preso pelo Exército e relatou ter sofrido intensas sessões de tortura, incluindo choques elétricos, espancamentos e o chamado "pau de arara". Segundo seus relatos, as agressões deixaram sequelas permanentes, como a perda da audição de um dos ouvidos.

Um dos episódios mais marcantes de sua vida foi a acusação de ter delatado um campo de treinamento da VPR no Vale do Ribeira. Durante décadas, ele contestou essa versão, afirmando que, sob tortura, revelou apenas informações sobre uma área já desativada. Em 2004, documentos militares e manifestações do historiador Jacob Gorender reforçaram sua defesa, levando à revisão dessa acusação por parte de alguns estudiosos.

Após o período da ditadura, Lungaretti construiu carreira no jornalismo e tornou-se um defensor dos direitos humanos e da preservação da memória histórica. Em 2005, lançou o livro "Náufrago da Utopia: Vencer ou morrer na guerrilha aos 18 anos", obra autobiográfica em que narra sua militância, prisão, tortura e as consequências desses acontecimentos. Também manteve por muitos anos o blog "Náufrago da Utopia", dedicado à política, história e direitos humanos.

 

Nos últimos anos, trabalhava na continuação de sua autobiografia, intitulada "Náufrago da Utopia 2", que já estava concluída e em fase de edição. Lungaretti deixa a esposa, Nadja, e as filhas Luana e Laura. Seu falecimento gerou manifestações de pesar entre jornalistas, pesquisadores e antigos militantes ligados à defesa da democracia e da memória da ditadura militar. 

Comentários