
O assassinato de Óscar Romero é um dos crimes políticos e religiosos mais emblemáticos da história da América Latina. Sua morte, em 24 de março de 1980, tornou-se um símbolo da luta pelos direitos humanos em El Salvador.
Quem foi Óscar Romero?
Óscar Arnulfo Romero y Galdámez era o arcebispo de San Salvador. Inicialmente visto como um religioso conservador, sua postura mudou após testemunhar o aumento da violência, da pobreza e das perseguições promovidas pelo Estado e por grupos paramilitares.
Em suas homilias transmitidas pelo rádio para todo o país, denunciava:
- assassinatos de civis;
- desaparecimentos forçados;
- torturas;
- violações dos direitos humanos;
- repressão militar contra a população.
Ele defendia que soldados não obedecessem ordens para matar inocentes, o que aumentou a tensão com setores das Forças Armadas e da elite política.
O assassinato
Em 24 de março de 1980, Romero celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, em San Salvador.
Enquanto fazia a homilia, um atirador disparou um único tiro que o atingiu no coração. O arcebispo morreu poucos minutos depois, diante dos fiéis.
O crime chocou o mundo e ocorreu justamente quando El Salvador caminhava para uma guerra civil que duraria de 1980 a 1992.
Quem foi responsável?
Durante muitos anos, o assassinato permaneceu oficialmente sem solução.
Investigações posteriores, incluindo a Comissão da Verdade das Nações Unidas, concluíram que o homicídio foi planejado por integrantes de grupos de extrema direita ligados ao major Roberto D'Aubuisson, apontado como mentor intelectual do crime.
Apesar dessas conclusões, durante décadas praticamente ninguém foi responsabilizado judicialmente, devido à influência política e à Lei de Anistia aprovada após a guerra civil.
O funeral também terminou em tragédia
Dias após sua morte, cerca de 250 mil pessoas participaram do funeral na Catedral de San Salvador.
Durante a cerimônia, tiros e explosões provocaram pânico entre os presentes. O tumulto deixou dezenas de mortos e centenas de feridos, embora até hoje haja divergências sobre o número exato de vítimas.
Legado
Óscar Romero tornou-se um símbolo mundial da defesa dos direitos humanos e da justiça social.
Em 2015, a Igreja Católica o reconheceu como mártir, declarando que foi morto "por ódio à fé". Três anos depois, em 2018, ele foi canonizado pelo Papa Francisco, passando a ser conhecido como São Óscar Romero.
Hoje, sua história é lembrada como um exemplo de coragem diante da violência e da opressão, e seu assassinato continua sendo um dos episódios mais marcantes da história política e religiosa de El Salvador.