A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um grupo de trabalho especial para investigar a segurança da vacina contra a dengue Butantan-DV após a notificação de eventos adversos graves, incluindo duas mortes que ocorreram após a aplicação do imunizante.
A decisão foi tomada depois que o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacinação com a Butantan-DV. Segundo as autoridades, foram registrados 42 episódios de reações mais severas entre os vacinados. Desses casos, três foram considerados graves, incluindo os dois óbitos que estão sendo investigados.
Até o momento, o Ministério da Saúde e a Anvisa destacam que não há comprovação de que as mortes tenham sido causadas pela vacina. As investigações buscam justamente determinar se existe uma relação de causa e efeito entre o imunizante e os eventos registrados.
O grupo criado pela Anvisa terá a missão de organizar e apoiar um painel de especialistas independentes que analisará dados clínicos, epidemiológicos e de farmacovigilância. O objetivo é avaliar a relação entre riscos e benefícios da vacina e fornecer embasamento técnico para futuras decisões sobre a retomada ou não da campanha de vacinação.
A Butantan-DV foi aprovada no fim de 2025 e se tornou a primeira vacina contra a dengue desenvolvida e produzida integralmente por um laboratório brasileiro. Um de seus diferenciais é ser aplicada em dose única e oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Especialistas ressaltam que eventos raros podem aparecer somente após a aplicação em centenas de milhares de pessoas, algo que nem sempre é detectado durante os ensaios clínicos. Por isso, a investigação é considerada uma etapa normal e importante do processo de monitoramento da segurança das vacinas.
Enquanto a análise continua, as autoridades de saúde recomendam que a população acompanhe as orientações oficiais e mantenha as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da dengue no Brasil.