A situação no Iêmen voltou a se agravar em agosto de 2026, principalmente por causa da escalada entre os Houthis, grupo que controla grande parte do norte do país, e as forças ligadas ao governo iemenita. Os Houthis também intensificaram ataques contra a Arábia Saudita, aumentando o risco de uma nova guerra em larga escala.
O que está acontecendo?
Os Houthis realizaram ataques com mísseis e drones contra alvos ligados à Arábia Saudita, incluindo instalações de petróleo. Em 9 de agosto, o grupo reivindicou um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco em Jazan. O incêndio foi controlado e não houve registro de vítimas no local.
Em resposta, forças ligadas ao governo reconhecido internacionalmente anunciaram operações contra posições houthis. O temor agora é que a frágil trégua que existe desde 2022 seja definitivamente rompida.
E onde entra o Irã?
Os Houthis são aliados do Irã, embora não sejam simplesmente "soldados iranianos". Teerã fornece apoio político e, segundo autoridades e governos envolvidos no conflito, também ajuda militarmente o grupo.
Isso dá ao Irã uma importante vantagem estratégica: pressionar adversários sem necessariamente entrar diretamente em combate em todos os lugares.
O Iêmen é especialmente importante porque fica próximo de duas rotas marítimas fundamentais:
- Mar Vermelho e Bab el-Mandeb, ligação entre o oceano Índico e o Mediterrâneo;
- Golfo de Áden, rota utilizada por navios que passam pela região;
- e, mais ao norte, o Estreito de Ormuz, controlado estrategicamente pelo Irã.
⚠️ Por que isso é importante neste momento?
A crise no Iêmen ocorre simultaneamente à disputa entre Irã e Estados Unidos pelo Estreito de Ormuz. O Irã está exigindo condições cada vez mais duras para permitir a retomada da navegação pelo estreito, incluindo o fim permanente das hostilidades, retirada de forças americanas, suspensão de sanções e indenização.
Assim, o conflito no Iêmen pode funcionar como uma segunda frente de pressão contra os aliados dos EUA no Oriente Médio.
A maior preocupação é a Arábia Saudita
A Arábia Saudita é um dos principais adversários regionais dos Houthis e também um importante parceiro dos Estados Unidos.
O agravamento da situação já levou Arábia Saudita, Turquia e Paquistão a assinar um acordo de defesa mútua, em meio ao aumento dos ataques houthis.
Isso cria um cenário delicado:
Irã → apoia os Houthis → Houthis atacam a Arábia Saudita → Arábia Saudita busca novos aliados → EUA e outras potências podem ser envolvidos.
E o que isso pode provocar no mundo?
O principal risco é uma escalada regional que afete simultaneamente duas das principais rotas de energia do planeta: Ormuz e o Mar Vermelho.
Se o tráfego marítimo for interrompido ou ficar muito mais perigoso, podem aumentar:
- preço do petróleo;
- custo dos combustíveis;
- fretes marítimos;
- seguros de navios;
- preço de produtos importados;
- pressão sobre a inflação mundial.