Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
POR QUE TODAS AS CRISES DE SAÚDE SÃO ATRIBUIDAS A ANIMAIS?
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 11/02/2026 08:29 • Atualizado 11/02/2026 08:30
Saúde

Nem todas as crises de saúde são atribuídas a animais, mas muitas doenças emergentes são zoonoses, ou seja, doenças que passam de animais para humanos. E isso acontece por razões biológicas e ecológicas bem documentadas.

1️⃣ A maioria das doenças infecciosas vem de animais

Cerca de 60–75% das doenças infecciosas emergentes são zoonóticas. Isso inclui:

  • COVID-19 (provável origem em morcegos)

  • Gripe aviária e gripe suína

  • Ebola

  • HIV (origem em primatas)

  • SARS

  • Raiva

Isso não é coincidência — é biologia evolutiva.


 

2️⃣ Humanos convivem intimamente com animais

As principais situações que facilitam o “salto” de vírus entre espécies:

  • Criação intensiva de animais (granjas, suínos, aves)

  • Mercados com animais vivos

  • Desmatamento e invasão de habitats

  • Comércio ilegal de animais silvestres

  • Consumo de carne mal preparada

Quando humanos entram em contato frequente com fluidos, sangue ou fezes de animais, aumenta a chance de vírus sofrerem mutações e conseguirem infectar pessoas.


3️⃣ Vírus evoluem rápido

Vírus, especialmente os de RNA (como coronavírus e influenza), sofrem mutações rápidas.
Quando um vírus encontra uma nova espécie (como humanos), ele pode:

  • Não fazer nada

  • Infectar sem se espalhar

  • Ou se adaptar e começar uma epidemia

Esse processo é natural na evolução.


4️⃣ Mas nem toda crise vem de animais

Alguns problemas de saúde têm outras origens:

  • Resistência bacteriana (uso excessivo de antibióticos)

  • Doenças crônicas (diabetes, obesidade)

  • Exposição a químicos e poluição

  • Erros laboratoriais (raros, mas já discutidos historicamente)


5️⃣ Por que “culpar animais” às vezes vira narrativa?

Existe também um fator social:

  • É mais simples comunicar que “veio de um animal”

  • Evita pânico sobre falhas humanas ou políticas

  • Pode ser usado politicamente

Mas na maioria dos casos, a explicação científica aponta para interação humana com ecossistemas alterados, não “culpa do animal”.

 

O ponto central não é que o animal é o vilão —
é que a forma como a humanidade interage com a natureza aumenta o risco.

Comentários