É VERDADE QUE EXISTE MAIS CASAS VÁZIAS NO MUNDO DO QUE PESSOAS
SEM-TETO?
✔️ há evidências de muitos imóveis vazios — e de muitos sem-teto
Em alguns países, há de fato um número expressivo de imóveis desocupados. Por exemplo, um levantamento divulgado em 2023 apontava que no Brasil haveria cerca de 11,4 milhões de domicílios vazios.
Ao mesmo tempo, dados mais recentes de 2025 apontam que globalmente cerca de 318 milhões de pessoas vivem sem moradia adequada — dormindo na rua ou em condições de moradia precária.
Ou seja: há um contraste chocante entre o número de casas vazias — em muitos lugares — e o número de pessoas sem teto ou sem moradia digna.
⚠️ mas nem sempre a comparação “casas vazias vs pessoas sem-teto” faz sentido
Dizer simplesmente que há “mais casas vazias que pessoas sem-teto” globalmente ou em qualquer escala ampla pode ser enganoso por vários motivos:
Definição de “casa vazia” varia: muitas das unidades contadas como vazias podem ser por razões temporárias — imóveis para alugar, à venda, segundo casa, residência de férias, herança pendente, imóveis desocupados por manutenção etc. Ou seja: não são necessariamente “habitações prontas para uso imediato”. Isso limita a validade da comparação.
Localização e adequação: mesmo que existam imóveis vazios, eles nem sempre estão localizados onde vivem as pessoas sem-teto — ou podem estar em más condições, precisar reforma, não ter serviços básicos etc.
Ambiental e social: ter uma casa disponível não é suficiente — moradia digna exige acesso a saneamento, transporte, emprego, infraestrutura urbana. Grande parte das pessoas “sem-teto” enfrentam múltiplas barreiras, o que não é resolvido apenas com teto físico. Isso explica por que o déficit de habitação persiste mesmo onde há imóveis vagos.
Além disso, muitos estudos mostram que converter imóveis vazios em moradias acessíveis não é trivial — demanda reformas, mudança de regulamentações, vontade política e logística.
A afirmação pode ter um fundo de verdade, mas não é uma “regra
universal”
Sim — em muitos contextos há dados mostrando que o número de imóveis vagos (ou “casas vazias”) supera o número de pessoas sem moradia formal.
Mas isso não significa automaticamente que essas casas vazias possam ou vão acolher quem precisa — por limitações práticas, estruturais, logísticas e legais.
A métrica simplista “mais casas vazias que sem-teto = solução pronta” tenta escancarar um paradoxo social legítimo — e útil para chamar atenção — mas ignora as complexidades da habitação digna.