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MORREU EM NOVEMBRO: YITZHAK RABIN
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 08/11/2025 11:21
Por Trás da Fama

Yitzhak Rabin foi uma figura central da história de Israel, e sua vida corre quase como uma linha de tensão entre guerra, tentativa de paz e uma tragédia que mudou o rumo do país.

 

Quem ele foi

Rabin nasceu em 1922, em Jerusalém, quando a região ainda era o Mandato Britânico. Cresceu num ambiente de conflitos e acabou entrando muito jovem em grupos de defesa judaicos. Ele não era um líder que buscava o holofote. Era mais o tipo engenheiro de ponte: quieto, prático, focado.

 

Carreira militar

Durante a guerra de 1948, que marcou a criação de Israel, Rabin se destacou no comando. Com o tempo virou Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e foi um dos responsáveis pela vitória na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Ou seja: passou boa parte da vida aprendendo a lidar com batalhas, mapas estratégicos e decisões de risco extremo.

 

Entrada na política

Depois da carreira militar, se tornou embaixador nos Estados Unidos, depois ministro e finalmente primeiro-ministro (duas vezes).

O ponto de virada foi quando ele passou de comandante de guerra para alguém disposto a tentar um acordo com os palestinos. Essa mudança não foi vista com bons olhos por todo mundo.

 

Os Acordos de Oslo

Nos anos 1990, Rabin começou um processo de negociação com Yasser Arafat e a Autoridade Palestina. Os Acordos de Oslo buscavam uma convivência entre dois povos que há décadas viviam em confronto.

Ele dividiu o Nobel da Paz com Arafat e Shimon Peres. Não era uma paz perfeita, nem ampla, nem simples. Mas era um começo.

 

Como ele morreu

Em 4 de novembro de 1995, Rabin foi assassinado em Tel Aviv, ao fim de um comício pela paz.

O assassino não era um inimigo externo, mas um extremista judeu de dentro do próprio país.

Esse choque abalou Israel profundamente. A sensação coletiva foi de que algo frágil e importante tinha sido quebrado no momento exato em que começava a tomar forma.

 

Seu legado

Rabin é lembrado como alguém que conhecia a realidade dura da guerra e, justamente por isso, tentou abrir espaço para a paz.

Seu legado vive em três trilhas:

 

Coragem política: Ele arriscou sua carreira e sua imagem para tentar um caminho menos violento.

 

A ideia de coexistência: Mesmo décadas depois, Oslo ainda serve como referência em discussões de solução de dois Estados.

 

Um alerta histórico: Sua morte mostrou como extremismos internos podem destruir processos frágeis e importantes.

 

Rabin deixou para trás uma lição simples, mas pesada: paz não se conquista com ingenuidade, mas com a coragem de enfrentar inimigos externos e também as sombras internas.

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