Principais problemas
Prejuízos bilionários
Em 2024, os Correios tiveram um prejuízo de cerca de R$ 2,6 bilhões.
No primeiro semestre de 2025, o rombo já é de aproximadamente R$ 4,37 bilhões, mais do que todo o déficit de 2024.
Só no segundo trimestre de 2025 foi um prejuízo de cerca de R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior do que no mesmo período de 2024.
Receita em queda
Algumas linhas de serviço perderam receita. Por exemplo, serviços de postagem internacional caíram muito, inclusive por mudanças regulatórias.
A chamada “taxa das blusinhas” (tributação de remessas internacionais de menor valor) contribuiu para reduzir compras internacionais, afetando diretamente a receita dos Correios.
Despesas elevadas e aumento de custos
Aumento significativo nos custos de pessoal, com reajustes salariais, benefícios, gratificações etc.
Crescimento de despesas judiciais, precatórios, e contingências.
Custos operacionais elevados também por uma estrutura muito grande e complexa — muitos pontos de atendimento, frota distribuída, logística em todo o Brasil.
Patrimônio líquido negativo / ativos em queda
Segundo relatório de administração, os ativos estão caindo, houve redução nas aplicações financeiras.
O patrimônio líquido da empresa está negativo, ou seja, as dívidas e obrigações superam os ativos.
Estrutura deficitária em muitas unidades
Uma grande parte das agências e unidades operacionais têm custos maiores que receitas. Cerca de 85% das unidades operam no vermelho.
Concorrência
Setores de encomendas e logística privada competem de forma agressiva. As empresas privadas tendem a ser mais ágeis, conseguem foco específico, operar com custos menores, inovação etc. Isso pressiona a fatia de mercado dos Correios.
Gestão, eficiência e necessidade de modernização
Há críticas de gestão pouco eficiente, estrutura pesada, processos lentos. É citado que parte dos prejuízos decorrem de ineficiências operacionais.
Também há lançamentos de medidas emergenciais, PDV (programa de demissão voluntária), cortes de jornada e outras para tentar conter o avanço do rombo.
Causas principais
Mudanças regulatórias que afetaram os serviços internacionais e importações de baixo valor (como na “taxa das blusinhas”) reduziram receitas importantes.
Sobrecarga de custos fixos — pessoal, manutenção de infraestrutura, frota, transporte interno, etc.
Crescimento de despesas judiciais e previdenciárias.
Queda ou crescimento insuficiente em segmentos estratégicos de receita para compensar as perdas (como postagem internacional).
Mercado de encomendas privado muito competitivo, com players que investem mais em tecnologia, logística eficiente, prazos curtos.
Desafios e consequências
Risco de “colapso operacional”, como alertado por parlamentares, pelo acúmulo de prejuízo crescente e pela dificuldade de manter pagamentos com fornecedores de transporte terceirizado.
A necessidade de suportar serviços de universalização postal, mesmo quando algumas rotas são pouco rentáveis ou periféricas. Isso obriga a empresa a manter operações em localidades de difícil acesso ou com baixo volume.
Déficit nos recursos para pagar insumos, manter a frota, suprimentos, instalações, manutenção, etc., o que pode impactar a qualidade dos serviços (atrasos, falhas) e a confiança do público.
O que está sendo feito
Negociação de empréstimo de cerca de R$ 20 bilhões com garantia do Tesouro para equilibrar as contas no biênio 2025-2026 e tentar voltar a ter lucro a partir de 2027.
PDV (programa de demissão voluntária) já com adesão de milhares de empregados, como forma de reduzir custos com pessoal.
Venda de imóveis da estatal para gerar caixa.
Suspensão temporária de alguns benefícios ou práticas (como férias, trabalho remoto em unidades administrativas) visando conter gastos.