
- No dia 17 de junho de 2015, os Estados Unidos foi marcado, mais uma vez, como palco de um crime de ódio, bárbaro e desumano.
Dylann Roof, jovem branco de 21 anos, atirou diversas vezes contra fiéis negros, na Igreja Metodista Episcopal Africana, em Charleston, Carolina do Sul.
- O criminoso, assumidamente racista e supremacista branco, confessou o crime quando foi detido e preso pela polícia.
Segundo ele, seu objetivo com o atentado era iniciar uma “guerra racial” no país.
- Dylann Roof nasceu em Columbia, na Carolina do Sul.
Filho de pais separados, ele passou a viver boa parte da infância com seu pai e sua madrasta, crescendo enquanto presenciava constantes abusos e cenas de violência doméstica de seu progenitor para com a mulher com quem vivia.
- Ainda enquanto criança, Roof foi diagnosticado com Transtorno Obsessivo Compulsivo, e, segundo consta em arquivos médicos, ele era obcecado por germes e padrões de estilo, como o próprio corte de cabelo que usava.
- Durante a adolescência, o garoto não demonstrou muita afinidade com os estudos, ele mudou de escola sete vezes e teve histórico de reprovações.
No ensino médio, ele desistiu da vida acadêmica, e, segundo amigos, passava a maior parte do tempo jogando videogame e usando drogas.
- Antes de cometer o atentado na igreja de Charleston, Roof já havia sido detido anteriormente pela polícia por posse ilegal de drogas, quando foi achado consigo um frasco de Suboxone - droga da qual fazia uso constante, sem prescrição médica.
- Na noite do crime em questão, Dylann Roof chegou de carro até o estacionamento da Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, em Charleston, levando uma pistola de calibre .45, que escondeu na cintura ao descer do veículo.
- Naquela noite, ocorria na igreja uma reunião de estudos bíblicos que contava com a presença de doze fiéis.
Roof entrou normalmente no local e foi bem recebido por suas futuras vítimas.
Ele assistiu alguns minutos do estudo, e então, abriu fogo contra as pessoas que ali estavam.
- Segundo uma das vítimas do terror provocado por Roof, houve um momento em que, enquanto o garoto parou para recarregar a arma, ele disse: “Tenho que fazer isso.
Vocês estão estuprando nossas mulheres e se apoderando de nosso país”.
- Ao todo, o criminoso atingiu dez pessoas com os disparos, das quais, nove perderam a vida.
As câmeras de segurança da igreja registraram o momento em que Roof chega ao local e, depois de cometido o crime, sai normalmente pela porta da frente, em direção ao seu carro.
- Após investigações, Roof foi encontrado pela polícia e preso na manhã seguinte ao atentado, há cerca de 400 km do local do crime.
Ele estava desempregado já havia algum tempo, e morava em Eastover, cidade majoritariamente negra da Carolina do Sul.
- A igreja a qual Roof escolheu para realizar o massacre é uma das mais antigas dos EUA, e representa para a população afro-americana um símbolo da resistência contra a escravidão e segregação racial do século XX, nos EUA.
- Segundo amigos próximos do criminoso, ele já havia comentado sobre sua intenção em realizar um massacre numa universidade local, mas nunca foi levado a sério.
Um deles, que é negro, inclusive disse que nunca ouviu Roof comentar nada de cunho racista.
- As investigações que se seguiram após a prisão do terrorista, revelaram que ele possuía perfil em um site da internet no qual disseminava ódio contra negros e outras minorias, através de mensagens trocadas com outros perfis de supremacistas brancos não-identificados.
- As fotos publicadas pelo jovem já demonstravam sua profunda admiração aos movimentos racistas dos Estados Unidos, onde diversas vezes ele aparece com símbolos e bandeiras obsoletas do país, remetendo a uma sociedade americana antiga, estruturada pela segregação racial.
- Posteriormente, um site sob sua propriedade foi derrubado pelo FBI, onde continha material que fazia apologia ao nazismo, incluindo repetidas associações ao número 88 e 1488, que são códigos e abreviações da saudação “Heil Hitler”.
- Nesse site, também foi encontrado um documento de texto curto, nomeado como manifesto, onde Dylann Roof escreveu cruelmente acerca do que pensava sobre negros, judeus, hispânicos, patriotismo, dentre outras coisas.
- O julgamento do criminoso ocorreu em dezembro de 2016, onde ele foi julgado por 33 crimes federais cometidos.
Apesar de seus advogados tentarem defendê-lo sob a justificativa do “estado emocional” do jovem, Dylann Roof foi condenado à morte no ano de 2017.
- Durante seu julgamento, muito foi falado acerca do Reverendo Clementa Pinckney, vítima do criminoso na noite do atentado, e líder da igreja que reunia a mais antiga comunidade negra e histórica da época da escravidão.
- Os jurados do caso receberam e leram uma cópia do diário de Roof, durante uma das sessões do seu julgamento.
Nele, o criminoso escreveu que não se arrependia do que fez, não se sentia culpado e não havia derramado uma lágrima sequer pelas pessoas inocentes que matou.
- “Pessoas brancas estão sempre fingindo que todos somos iguais, que nada de ruim está acontecendo. Mas isso não é verdade!”, escreveu ele, em uma das páginas do diário.
Essas e outras provas mostradas, serviram para definir o rumo da sentença do terrorista.
- No ano de 2019, enquanto preso, Roof recebeu cartas de Elizabeth Lecron, uma jovem admiradora do criminoso, que posteriormente foi presa e sentenciada a 15 anos de prisão, por ser acusada de arquitetar dois ataques terroristas no estado de Ohio.
- Em 2022, com 27 anos, Dylann tentou recorrer contra a pena de morte, sem sucesso.
No entanto, talvez sua sentença ainda demore para ser aplicada, devido à moratória às execuções federais imposta pelo governo de Joe Biden, em maio daquele ano.
