A maior tragédia climática do Rio Grande do Sul deve extrapolar o impacto sanitário e social na região e trazer consequências, num segundo momento, para a economia nacional. O estado é um dos principais produtores do setor agropecuário no Brasil, por isso a oferta de itens do dia a dia da mesa do brasileiro está em risco. E isso significa alimentos mais caros chegando às prateleiras dos supermercados por todo o país - se chegarem.
Os efeitos das chuvas torrenciais na produção gaúcha devem exercer pressões inflacionárias relevantes sobre o mercado, o que, em última instância, pode afetar até mesmo o destino da Selic (a taxa básica de juro) neste ano. Isto porque, caso os preços desses alimentos da cesta básica escalem, encarecendo a alimentação do brasileiro, o espaço para corte de juros fica ainda menor.O risco de desabastecimento desses grãos e das carnes é alto, conforme mostrou ontem o último relatório da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que estima um prejuízo superior a R$ 967 milhões à agricultura do Rio Grande do Sul.
fonte: o globo