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HALLOWEEN- POR TRÁS DO FILME: O CHAMADO (1998)
Por JOAO BISPO
Publicado em 27/10/2026 08:58
Halloween..
 

Os bastidores sombrios, mistérios e curiosidades do terror japonês

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Ringu | Amherst Cinema
 
 
 
RINGU (1998) • Frame Rated
 
6
 

Lançado no Japão em 1998, Ring: O Chamado, conhecido originalmente como Ringu, tornou-se um dos filmes mais influentes do terror japonês. Dirigido por Hideo Nakata, o longa apresenta uma fita de vídeo amaldiçoada que condena à morte quem a assiste, sete dias depois.

Mas o que torna esse filme tão perturbador não é apenas a história de Sadako, a menina de cabelos negros que sai de uma televisão. É também a maneira como o diretor construiu o medo usando imagens estranhas, movimentos humanos antinaturais, silêncio e sons desconfortáveis.

Importante: existem muitas histórias na internet sobre supostas assombrações durante gravações de filmes de terror. No caso de Ringu, não encontrei relatos confiáveis que comprovem acontecimentos sobrenaturais no set ou acidentes misteriosos envolvendo o elenco. As curiosidades a seguir são baseadas em técnicas de produção, detalhes incomuns e rumores que cercam o filme.

1. A atriz de Sadako criou movimentos que parecem desafiar o corpo humano

Ring (Ringu) is coming in 4K UHD - Niche Gamer
 
 
 
Uma das imagens mais perturbadoras do filme é a maneira como Sadako caminha, com o corpo inclinado e movimentos bruscos, quase mecânicos.

A personagem foi interpretada por Rie Inō, artista com experiência em teatro tradicional japonês. Para produzir aquele movimento antinatural, ela caminhou para trás, executando gestos cuidadosamente coreografados. Depois, a filmagem foi reproduzida ao contrário, criando a impressão de que Sadako se movia de uma forma impossível para um ser humano.

 

 

O resultado é especialmente inquietante porque o movimento não parece uma atuação convencional: há algo familiar, mas ao mesmo tempo profundamente errado.

2. O olho de Sadako esconde um detalhe inesperado

Lost in Adaptation: Ringu From Novel to Screen through a Feminist Lens — The Final Girls
 
 
 

Na cena final, quando o rosto de Sadako finalmente aparece de maneira mais explícita, o olhar da criatura provoca uma sensação de desconforto difícil de explicar.

Uma curiosidade técnica frequentemente mencionada é que o close extremo do olho teria sido filmado usando o olho de um ator masculino, em vez do olho da intérprete. A intenção seria produzir uma imagem ligeiramente estranha, sem que o público percebesse imediatamente o motivo.

 

 

É um exemplo de como pequenos detalhes visuais podem ser tão eficazes quanto sustos explícitos.

3. A fita amaldiçoada foi criada para parecer realmente perturbadora

Ringu | Playhouse Cinema
 
 
 
As imagens da fita assistida pelos personagens parecem fragmentos de um pesadelo: movimentos estranhos, cenas desconexas e símbolos que não são explicados imediatamente.

O mais curioso é que a sequência não dependia apenas de efeitos sobrenaturais. A produção filmou o material em película de 35 mm e depois acrescentou digitalmente granulação para dar à imagem uma aparência deteriorada, semelhante à de uma gravação antiga.

 

 

Essa escolha reforça uma sensação assustadora: parece que o espectador encontrou uma gravação que nunca deveria ter visto.

4. O telefone foi tratado como parte do terror

從《七夜怪談》到《咒》,當恐懼的意識在戲院外蔓延 - VERSE
 
 
 
 

Na história, o telefone toca depois que alguém assiste à fita. O som deixa de ser algo cotidiano e passa a representar a confirmação de uma ameaça.

Para criar o efeito, a equipe de som trabalhou com quatro sons diferentes de telefone, combinados para produzir o toque ouvido no filme. O projeto sonoro também utilizou dezenas de camadas para construir a atmosfera.

 

 

O resultado é um dos aspectos mais eficazes do longa: um telefone comum se transforma em motivo de ansiedade.

Imagine assistir a uma gravação estranha sozinho e, segundos depois, ouvir o telefone tocar no silêncio da casa. É justamente essa associação que o filme explora.

5. Existe um suposto fantasma escondido em uma cena?

RINGU (1998) • Frame Rated
 
 
 
Entre os rumores que circulam em sites japoneses dedicados a supostas aparições sobrenaturais no cinema, existe uma cena de Ringu em que algumas pessoas afirmam enxergar um rosto feminino refletido no vidro atrás de Reiko.

A cena teria alimentado a teoria de que uma presença estranha apareceu acidentalmente durante a gravação. No entanto, a própria análise que divulga esse rumor reconhece que a forma pode ser explicada pela iluminação e pelo efeito de perceber rostos em padrões ambíguos. Não há comprovação de que seja um fantasma ou de que tenha ocorrido uma manifestação paranormal no set.

 

 

Esse tipo de história faz parte do folclore que se desenvolve em torno de filmes de terror: quanto mais assustadora é a obra, maior costuma ser a curiosidade sobre o que teria acontecido fora das câmeras.

6. O diretor queria provocar medo sem mostrar tudo

El círculo  (1998) - FilmAffinity
 
 
 
 

O diretor Hideo Nakata optou por um terror contido, evitando mostrar diretamente muitas das mortes. Em vez de explicar tudo ou recorrer a cenas explícitas, ele deixa o público imaginar o que aconteceu.

Uma das referências que influenciaram sua abordagem foi o filme The Haunting (1963), que ele assistiu diversas vezes antes das filmagens. O teatro kabuki e a história de fantasmas japonesa Yotsuya Kaidan também ajudaram a orientar o estilo do longa.

 

 

Essa decisão é fundamental para entender por que Ringu causa tanto desconforto: o medo surge da espera, dos espaços vazios e da impressão de que alguma coisa terrível está prestes a acontecer.

7. As gravações duraram pouco, mas a produção levou meses

「リング(1998年)」 (c)1998「リング」製作委員会 [画像ギャラリー 1/6] - 映画ナタリー
 
 
 

Apesar da atmosfera elaborada, o período de filmagem foi relativamente curto: aproximadamente cinco semanas. A produção completa, incluindo preparação e outras etapas, levou cerca de nove meses, segundo informações publicadas sobre os bastidores.

 

 

O longa foi produzido com orçamento relativamente modesto, estimado em US$ 1,5 milhão. Seu sucesso ajudou a consolidar o interesse internacional pelo terror japonês e abriu caminho para a adaptação norte-americana The Ring (2002).

8. O filme inspirou uma lenda urbana própria

Watch Ringu | Netflix
 
 
 

Talvez a consequência mais curiosa de Ringu seja o fato de a própria obra ter ajudado a criar histórias assustadoras fora da tela.

A ideia de uma fita capaz de provocar a morte de quem a assiste parece plausível justamente porque utiliza objetos comuns: uma televisão, uma fita VHS e um telefone. Esses elementos fizeram a ficção parecer próxima da realidade cotidiana.

O filme também contribuiu para popularizar internacionalmente o chamado J-horror, estilo de terror japonês que costuma explorar fantasmas, maldições, traumas e ameaças invisíveis.

 

 

Não há evidências de que fitas amaldiçoadas como a do filme existam. Ainda assim, a ideia se tornou tão marcante que até hoje há pessoas que associam televisores antigos e gravações com defeitos a histórias de fantasmas.

 

️ Afinal, aconteceram coisas sobrenaturais durante as gravações?

Até onde foi possível verificar, não há registros confiáveis de mortes misteriosas, acidentes paranormais ou acontecimentos sobrenaturais envolvendo o elenco de Ringu (1998).

O que realmente chama a atenção nos bastidores é a combinação de técnicas simples e criativas: atuação coreografada ao contrário, imagens manipuladas, sons construídos em camadas e uma direção que prefere sugerir o horror a mostrá-lo.

E talvez esse seja o segredo mais sombrio do filme: ele não precisa provar que existe algo sobrenatural. Basta fazer você olhar para uma televisão desligada e imaginar, por um instante, que ela pode voltar a funcionar sozinha.

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