Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
MITO OU VERDADE: O CÉREBRO CRIA A SENSAÇÃO DE DOR?
Por JOAO BISPO
Publicado em 21/10/2026 08:58
Curiosidades
 

Mito ou verdade: o cérebro cria a sensação de dor?

Neuroscience of Arthritis – Maerz Laboratory – Musculoskeletal Bioengineering | ETH Zurich
 
 
 

VERDADE!

Mas existe um detalhe fascinante: isso não significa que a dor seja imaginária ou que a pessoa esteja inventando o que sente.

A dor é uma experiência produzida pelo sistema nervoso, com participação fundamental do cérebro. Ela pode surgir quando existe uma lesão no corpo, mas também pode persistir mesmo depois que os tecidos se recuperam.

Como isso funciona?

Quando você encosta a mão em algo muito quente, receptores sensoriais detectam o estímulo e enviam sinais pelos nervos até a medula espinhal e o cérebro. O sistema nervoso processa essas informações, e você sente dor.

Mas o cérebro não funciona como um simples alarme. Ele considera diferentes informações, como:

  • A intensidade do estímulo: quanto mais intenso o estímulo nocivo, maior pode ser a dor.

  • As emoções: medo, ansiedade e estresse podem aumentar a percepção dolorosa.

  • As experiências anteriores: lembranças e expectativas podem influenciar a maneira como a dor é sentida.

  • O contexto: atenção, segurança e sensação de ameaça também podem modificar a experiência.

É possível sentir dor sem ter uma lesão aparente?

Sim! Isso acontece, por exemplo, em algumas condições de dor crônica, como a fibromialgia e a dor neuropática.

Nesses casos, o sistema nervoso pode continuar produzindo ou amplificando a experiência dolorosa mesmo sem uma lesão proporcional à intensidade do sofrimento. Isso não significa que a dor seja falsa: ela é real e pode precisar de tratamento.

Da mesma forma, uma pessoa pode sofrer uma lesão importante e sentir pouca dor inicialmente, especialmente em situações de emergência, quando o organismo está sob forte estresse.

Então, a dor está na cabeça?

Em certo sentido, a experiência da dor é construída pelo cérebro. Porém, dizer que ela está “apenas na cabeça” é incorreto e pode desvalorizar o sofrimento de quem sente.

A dor envolve uma interação complexa entre cérebro, medula espinhal, nervos, tecidos, emoções e contexto.

Outro detalhe importante: nem todo sinal de perigo causa dor, e nem toda dor significa que existe uma lesão em andamento. A dor é um sistema de proteção, mas pode se tornar persistente ou desproporcional ao estímulo inicial.

Curiosidade final

O cérebro consegue modular a dor por meio de mecanismos próprios, incluindo a liberação de substâncias como as endorfinas. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas só percebem um ferimento depois que uma situação de perigo termina.

 

Comentários