Nem toda violência deixa marcas no corpo
“Mas ele nunca me bateu.”
Essa frase pode fazer uma mulher questionar se aquilo que vive realmente pode ser chamado de violência.
Porque, quando pensamos em violência, muitas vezes imaginamos apenas aquilo que deixa marcas visíveis no corpo.
Mas existem agressões que não aparecem em uma fotografia.
Palavras que humilham.
Ameaças.
Controle.
Intimidação.
Isolamento.
Desvalorização.
Manipulação.
Constrangimentos.
Controle financeiro.
Invasão de privacidade.
Todas essas formas de violência podem afetar profundamente a vida de uma mulher.
Às vezes, a violência começa de maneira sutil.
Uma crítica aqui.
Uma cobrança ali.
Uma brincadeira que machuca.
Uma proibição apresentada como preocupação.
Até que aquilo que parecia pequeno começa a ocupar cada vez mais espaço.
E a mulher pode começar a duvidar de si mesma:
“Será que estou exagerando?”
“Talvez eu seja sensível demais.”
“Ele não fez por mal.”
“Pelo menos nunca me bateu.”
Mas violência não precisa deixar um hematoma para causar sofrimento.
O impacto também pode aparecer na forma como você passa a se enxergar, na sua liberdade, na sua autoestima, nos seus relacionamentos e na sensação de segurança dentro da própria vida.
Reconhecer isso não significa colocar um rótulo em qualquer conflito de relacionamento.
Relacionamentos saudáveis também têm divergências, frustrações e momentos difíceis.
A diferença está em perceber quando existe um padrão de dominação, medo, humilhação, ameaça ou desrespeito à autonomia.
Por isso, talvez seja importante olhar menos para a pergunta:
“Foi grave o suficiente?”
E começar a perguntar:
“O que essa relação está fazendo comigo?”
Se você constantemente sente medo, precisa medir suas palavras, abrir mão da sua liberdade ou viver tentando evitar a reação do outro, isso merece atenção.
Você não precisa esperar uma marca no corpo para reconhecer que algo está machucando você.
E reconhecer o que está acontecendo pode ser o primeiro passo para buscar informação, apoio e proteção.
Depois do Silêncio
Uma conversa sobre mulheres, relações e recomeços.
Katia Santos | Psicóloga
CRP 132502/06
@psicologakatiasantos