Quando o controle se disfarça de cuidado
“Ele só tem ciúmes porque me ama.”
“Ela quer saber onde estou porque se preocupa comigo.”
“Ele não gosta que eu saia sozinha porque quer me proteger.”
Algumas atitudes podem parecer demonstrações de cuidado no início de um relacionamento. Mas, quando começam a limitar sua liberdade, suas escolhas e sua autonomia, é importante prestar atenção.
Cuidado pergunta.
Controle determina.
Cuidado respeita.
Controle fiscaliza.
Cuidado confia.
Controle exige provas.
Pode começar com uma pergunta aparentemente simples:
“Com quem você está?”
Depois, vem a necessidade de saber onde você está o tempo todo, com quem conversa, o que veste, quem segue nas redes sociais ou por que demorou para responder uma mensagem.
Talvez surjam cobranças para compartilhar senhas, localização ou conversas privadas.
E, quando você questiona, pode ouvir:
“Você está escondendo alguma coisa?”
“Se não tem nada a esconder, por que não me mostra?”
É importante lembrar: privacidade não é falta de amor.
Você pode estar em uma relação e continuar tendo direito à sua individualidade, às suas amizades, aos seus espaços e às suas escolhas.
Ciúme também não é uma prova de amor.
Sentir insegurança pode acontecer em qualquer relacionamento. O problema está quando essa insegurança se transforma em vigilância, cobrança, proibição ou tentativa de controlar a vida do outro.
Uma relação saudável não precisa diminuir a liberdade de uma pessoa para manter a outra segura.
Amar alguém não significa possuir alguém.
Se você precisa constantemente provar onde está, com quem está, o que fez e por que fez, talvez seja importante olhar para essa dinâmica com mais cuidado.
E uma pergunta pode ajudar:
“Eu me sinto amada nessa relação ou estou constantemente tentando provar que sou digna de confiança?”
Porque amor saudável não deveria exigir que você desaparecesse para que o outro se sentisse seguro.
Depois do Silêncio
Uma conversa sobre mulheres, relações e recomeços.
Katia Santos | Psicóloga
CRP 132502/06
@psicologakatiasantos