A história de Carmelina Alves Nogueira, de 106 anos, chamou a atenção neste domingo (4), em São Paulo. Moradora do Jaguaré, na Zona Oeste da capital, ela compareceu às urnas para votar no primeiro turno das Eleições de 2026, demonstrando que a participação cidadã não tem idade.
Nascida antes mesmo da criação da Justiça Eleitoral brasileira, Carmelina atravessou mais de um século de transformações políticas, sociais e tecnológicas no país. Sua história é um retrato vivo de diferentes gerações da democracia brasileira.
Uma vida que atravessou a história do Brasil
Carmelina nasceu antes de 1932, ano em que foi instituído o primeiro Código Eleitoral brasileiro e criada a Justiça Eleitoral.
Ao longo de seus 106 anos, ela acompanhou mudanças profundas na política nacional, desde períodos de restrição democrática até a redemocratização e a consolidação das eleições com urnas eletrônicas.
Quando nasceu, o Brasil ainda não possuía a estrutura eleitoral que conhecemos hoje. O país passou por transformações importantes no direito ao voto, incluindo a ampliação da participação feminina e a modernização do sistema de votação.
Aos 106 anos, votar é uma escolha
Um detalhe que torna a história ainda mais interessante é que Carmelina não é obrigada a votar.
No Brasil, o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos. Mesmo assim, a eleitora fez questão de comparecer à seção eleitoral e participar da escolha dos representantes políticos.
Sua atitude chama a atenção justamente porque o voto, para ela, é uma decisão voluntária, um gesto de participação na vida pública.
Quase 300 mil eleitores centenários no Brasil
Carmelina não está sozinha. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Brasil possui aproximadamente 298.239 eleitores com 100 anos ou mais, o equivalente a 0,19% do eleitorado nacional.
Esse número mostra que milhares de brasileiros centenários continuam registrados e aptos a participar das eleições, embora o voto seja facultativo nessa faixa etária.