Uma nova opção de prevenção ao HIV está avançando no Brasil. Trata-se do lenacapavir, antirretroviral de ação prolongada usado como PrEP (profilaxia pré-exposição), aplicado por injeção subcutânea apenas duas vezes por ano.
A novidade ganhou força em setembro de 2026 após um acordo entre a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a farmacêutica Gilead Sciences. O Brasil está entre os 14 países da América Latina e do Caribe que poderão adquirir o medicamento por meio dos fundos rotatórios da organização.
Como funciona?
O lenacapavir atua sobre o capsídeo do HIV, interferindo em diferentes etapas do ciclo de replicação do vírus. Para a PrEP, ele é administrado por via subcutânea em um esquema de uma aplicação a cada seis meses.
A ideia é oferecer uma alternativa para pessoas que têm dificuldade em manter uma rotina de prevenção que exige medicamentos com maior frequência.
Resultados dos estudos
Nos estudos clínicos que fundamentaram a aprovação, o medicamento apresentou níveis muito elevados de proteção.
No PURPOSE 1, realizado com mulheres cisgênero, não foram observadas infecções pelo HIV entre as participantes que receberam lenacapavir, resultado correspondente a 100% de eficácia no estudo.
No PURPOSE 2, que incluiu homens cisgênero e pessoas de gênero diverso, o medicamento apresentou 96% de eficácia em comparação com a incidência esperada sem PrEP e eficácia 89% maior que a PrEP oral diária utilizada como comparação.
O Brasil já aprovou o medicamento?
Sim. A Anvisa autorizou o Sunlenca (lenacapavir) para PrEP em janeiro de 2026, para adultos e adolescentes com 12 anos ou mais e pelo menos 35 kg, desde que tenham teste negativo para HIV antes de iniciar o medicamento.
Mas aprovação pela Anvisa não significa que o medicamento já esteja disponível gratuitamente no SUS.
Ainda são necessários processos relacionados a preço, incorporação à rede pública e planejamento para a distribuição. A OPAS informou também que a Gilead se comprometeu a avançar em um processo de transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar futuramente a produção local.
⚠️ Não é vacina contra o HIV
Apesar de ser aplicado somente duas vezes por ano, o lenacapavir não é uma vacina. É um medicamento antirretroviral utilizado como PrEP.
Também é fundamental confirmar que a pessoa não está infectada pelo HIV antes de iniciar o tratamento, porque a presença do vírus durante o uso do medicamento pode favorecer o desenvolvimento de resistência.
A chegada dessa tecnologia amplia o número de estratégias disponíveis para prevenção do HIV, que também incluem PrEP oral, preservativos, testagem e tratamento das pessoas que vivem com HIV.