VERDADE — mas com uma grande ressalva. O termo “reprogramar o cérebro” é uma simplificação popular do que a ciência chama de neuroplasticidade.
O cérebro não funciona como um computador que pode ser simplesmente resetado. Porém, ele consegue modificar conexões, reorganizar circuitos e alterar padrões de atividade em resposta a experiências, aprendizado, ambiente e treinamento. Isso acontece inclusive na vida adulta.
Como isso acontece?
Quando aprendemos algo novo ou repetimos determinada atividade, redes neurais podem sofrer mudanças. Com treinamento, determinadas conexões podem ser fortalecidas, enquanto outras podem ser modificadas ou enfraquecidas.
É por isso que conseguimos:
- aprender novos idiomas;
- desenvolver habilidades;
- adquirir novos hábitos;
- melhorar determinadas capacidades motoras;
- adaptar-nos a mudanças;
- recuperar parcialmente algumas funções depois de uma lesão cerebral.
Pesquisas recentes continuam encontrando alterações mensuráveis na estrutura e no funcionamento cerebral associadas ao aprendizado.
E pensamentos e comportamentos?
Experiências repetidas podem influenciar os circuitos envolvidos em aprendizagem e comportamento. Por isso, terapia, treinamento cognitivo e novas experiências podem contribuir para mudanças duradouras.
Mas isso não significa que basta “pensar positivo” para eliminar qualquer problema psicológico ou modificar completamente a personalidade. A neuroplasticidade é real, porém tem limites e varia de pessoa para pessoa.
Além disso, a plasticidade não é necessariamente positiva: algumas mudanças podem ser mal-adaptativas, como acontece em determinados mecanismos relacionados à dor crônica.
✨ Então podemos mudar ao longo da vida?
Sim. O cérebro adulto continua capaz de se adaptar. A ideia de que ele fica completamente “fixo” depois da infância está ultrapassada.
A melhor forma de entender é:
Você não consegue simplesmente “reprogramar” o cérebro à vontade, mas o cérebro possui capacidade contínua de mudança e adaptação.
E talvez essa seja uma das características mais fascinantes do cérebro humano: aquilo que aprendemos e praticamos pode, literalmente, participar da construção das redes neurais que usamos.