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MÉTODO CONTRACEPTIVO ANTIGO: FOLHAS E GOMA DE ACÁCIA COM MEL
Por JOAO BISPO
Publicado em 15/09/2026 08:49
Curiosidades

 

Muito antes da criação da pílula anticoncepcional, do DIU e dos espermicidas modernos, diferentes povos desenvolveram métodos para tentar evitar a gravidez. No Egito Antigo, algumas receitas contraceptivas utilizavam acácia, mel e outros ingredientes vegetais. Registros nos papiros ginecológicos egípcios, incluindo o Papiro de Kahun e o Papiro de Ebers, descrevem preparações colocadas na vagina.

Como funcionava?

Uma das preparações descritas envolvia acácia, mel e fibras de linho, formando uma espécie de pessário — uma preparação introduzida na vagina. A ideia provavelmente combinava barreira física, pela consistência pegajosa da mistura, com uma possível ação desfavorável aos espermatozoides.

A acácia é particularmente interessante porque pesquisas posteriores identificaram atividade espermicida em determinados componentes da planta. Estudos experimentais com substâncias derivadas de Acacia auriculiformis, por exemplo, demonstraram redução intensa da motilidade e da viabilidade dos espermatozoides em laboratório.

A ciência moderna confirmou o método?

Parcialmente — mas é preciso ter cuidado com essa afirmação.

Não significa que os antigos egípcios tivessem descoberto um anticoncepcional tão eficaz quanto os métodos atuais. O que pesquisas modernas mostram é que alguns componentes da acácia possuem propriedades espermicidas, o que torna biologicamente plausível que certas preparações antigas pudessem prejudicar os espermatozoides.

Também existe a hipótese de que a fermentação da acácia pudesse produzir ácido lático, criando um ambiente mais ácido, desfavorável aos espermatozoides. Essa explicação aparece em estudos históricos sobre as receitas egípcias, embora não seja correto afirmar que a eficácia contraceptiva da receita antiga tenha sido comprovada em mulheres.

⚠️ Não deve ser reproduzido

Apesar da curiosidade histórica, não é seguro utilizar folhas, goma de acácia, mel ou outras misturas caseiras dentro da vagina como anticoncepcional. Não existe garantia de dose, esterilidade, eficácia ou segurança, e produtos introduzidos na vagina podem causar irritação e alterar a microbiota.

 

Curiosidade: há cerca de 3.500–4.000 anos, médicos egípcios já registravam tentativas de controlar a fertilidade — mostrando que a preocupação com planejamento familiar é muito mais antiga do que os métodos contraceptivos modernos. 

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