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MÉTODO CONTRACEPTIVO ANTIGO: EXCREMENTO DE CROCODILO MISTURADO COM MEL
Por JOAO BISPO
Publicado em 12/09/2026 14:59
Curiosidades

 

Muito antes da criação dos anticoncepcionais modernos, diferentes civilizações desenvolveram métodos para tentar evitar a gravidez. No Antigo Egito, um dos mais curiosos — e hoje bastante inusitado — envolvia excremento de crocodilo.

A receita aparece no Papiro Ginecológico de Kahun, um dos mais antigos documentos médicos conhecidos sobre saúde feminina, produzido por volta de 1850 a.C. O texto descreve preparações destinadas a evitar a concepção, incluindo uma fórmula com excremento de crocodilo triturado e misturado a uma substância vegetal fermentada.

Como funcionaria?

A preparação era utilizada como uma espécie de pessário, isto é, uma substância colocada na vagina com finalidade contraceptiva. A ideia provavelmente envolvia uma combinação de barreira física e alteração do ambiente vaginal.

O detalhe do mel costuma aparecer em versões populares dessa história, mas é importante fazer uma correção: o Papiro de Kahun apresenta receitas diferentes — uma envolvendo excremento de crocodilo e outra envolvendo mel e natrão (um composto alcalino natural). Portanto, dizer simplesmente que "excremento de crocodilo era misturado com mel" pode juntar duas receitas distintas do papiro.

Eles realmente acreditavam que funcionava?

É difícil saber. Os egípcios tinham conhecimentos médicos empíricos, mas não conheciam os mecanismos da fecundação e dos espermatozoides como a ciência moderna conhece.

Alguns pesquisadores consideram possível que determinadas substâncias usadas nesses pessários tivessem algum efeito físico ou químico sobre os espermatozoides, enquanto outros ressaltam que não há evidência suficiente para afirmar que o método fosse realmente eficaz.

O fato de uma receita estar registrada em um papiro médico não significa que ela tivesse eficácia comprovada.

⚠️ E hoje?

Obviamente, não é um método seguro de contracepção. O uso de fezes de animais ou outras substâncias não destinadas ao uso vaginal pode provocar irritação, infecções e outros problemas.

O mais interessante nesse caso é histórico: há cerca de 3.800 anos, mulheres egípcias já utilizavam diferentes estratégias para tentar controlar a fertilidade — desde preparações vaginais até receitas com mel, natrão e outras substâncias.

 

Curiosidade: o Papiro de Kahun também contém orientações sobre gravidez, fertilidade e problemas ginecológicos, mostrando que a saúde reprodutiva fazia parte importante do conhecimento médico egípcio. 

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