O PISA 2025, divulgado nesta terça-feira (8), mostra que o Brasil continua abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências. A matemática foi o principal ponto fraco.
O que o PISA 2025 mostrou sobre o Brasil?
O PISA avalia estudantes de 15 anos e procura medir não apenas se eles decoraram conteúdos, mas se conseguem aplicar conhecimentos para resolver situações da vida real.
➗ Matemática é o maior problema
Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível básico de proficiência (nível 2) em matemática. Na média da OCDE, são 65%.
Isso significa que uma grande parcela dos jovens tem dificuldade para utilizar conceitos matemáticos básicos em situações práticas.
E o problema não está apenas na média: quase nenhum estudante brasileiro chegou aos níveis mais altos de matemática, enquanto a média da OCDE é de cerca de 8%.
E a leitura?
Em leitura, 49% dos brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2, contra 69% na média da OCDE.
Ou seja, mais da metade dos estudantes brasileiros avaliados não atingiu o nível básico estabelecido pelo PISA nessa competência.
Ciências teve uma pequena melhora
Aqui existe uma notícia positiva.
O Brasil passou de 403 pontos em 2022 para 409 em 2025, uma alta de 6 pontos. Mesmo assim, continua bastante distante da média da OCDE, de 482 pontos.
Somente 48% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 em ciências, contra 74% na média da OCDE.
Brasil piorou em matemática e leitura
Na comparação com 2022:
- Matemática: 379 → 377
- Leitura: 410 → 408
- Ciências: 403 → 409
Portanto, houve uma pequena queda em matemática e leitura e melhora em ciências.
Mas existe um detalhe importante: a própria média da OCDE também caiu no período. Isso significa que o cenário mundial também sofreu uma deterioração, especialmente depois dos impactos da pandemia.
⚠️ Um dos pontos mais preocupantes: desigualdade
O desempenho brasileiro também é fortemente influenciado pela condição socioeconômica.
Em ciências, por exemplo, existe uma diferença de 96 pontos entre os estudantes brasileiros dos grupos socioeconômicos mais favorecidos e os menos favorecidos. A diferença média na OCDE é de 85 pontos.
Isso mostra que o problema brasileiro não é simplesmente "os alunos não estudam". Condições econômicas, acesso a recursos educacionais e ambiente familiar têm forte relação com o desempenho.
Mas há um contraponto importante
Apesar do resultado ruim, o Brasil não está parado quando analisamos um período mais longo.
Nas últimas duas décadas, o país conseguiu reduzir sua distância em relação à média da OCDE. Em leitura, por exemplo, a diferença caiu de 102 pontos para 58; em matemática, de 131 para 92; e em ciências, de 113 para 77.