Ela NÃO era um método contraceptivo eficaz.
O médico grego Sorano de Éfeso, que viveu aproximadamente entre os séculos I e II d.C., escreveu sobre saúde reprodutiva e métodos para evitar a gravidez. Entre as práticas descritas estava a ideia de levantar-se, agachar-se, pular ou tentar expulsar o sêmen após a relação sexual.
Qual era a lógica?
A ideia era bastante intuitiva para a época:
“Se o sêmen sair do corpo, não poderá causar gravidez.”
Por isso, algumas mulheres eram orientadas a realizar movimentos ou determinadas posições logo após a relação, numa tentativa de eliminar o sêmen.
O problema é que isso não impede a fecundação.
Por que não funciona?
Depois da ejaculação, os espermatozoides podem entrar rapidamente no trato reprodutivo. Levantar, pular, agachar ou espirrar não consegue retirar de maneira confiável os espermatozoides que já penetraram no colo do útero.
Além disso, o líquido que sai posteriormente não representa necessariamente todos os espermatozoides presentes.
Espirrar também não “limpa” o útero. É uma crença antiga que não encontra respaldo na fisiologia reprodutiva.
Sorano realmente recomendava isso?
Aqui é importante fazer uma distinção: os textos de Sorano são uma das principais fontes sobre medicina ginecológica da Antiguidade e registram práticas contraceptivas e orientações relacionadas à reprodução. Entretanto, não devemos apresentar essas práticas antigas como se fossem equivalentes aos métodos contraceptivos modernos.
A medicina daquela época não conhecia os espermatozoides, a ovulação e a fecundação da maneira como conhecemos hoje.
Então era um “método contraceptivo”?
Historicamente, podemos chamar de prática contraceptiva, porque tinha como objetivo evitar a gravidez.
Mas, do ponto de vista médico atual, não é um método contraceptivo e não deve ser utilizado para prevenir uma gestação.
É um ótimo exemplo de como as sociedades antigas já tinham conhecimento empírico sobre reprodução e buscavam maneiras de controlar a fertilidade — mesmo sem conhecer os mecanismos biológicos envolvidos.
Curiosidade: ao longo da história, foram utilizados métodos extremamente diferentes para evitar a gravidez, desde plantas e barreiras físicas até práticas como essa, baseadas na tentativa de “expulsar” o sêmen.