O Sistema Cantareira, um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, encerrou agosto de 2026 com 32,99% do volume útil. No fim de julho, o nível era de 36,67%, ou seja, houve uma queda de aproximadamente 3,7 pontos percentuais em um mês.
O número preocupa porque o Estado está atravessando o período tradicionalmente mais seco do ano, que vai de junho a novembro. Mesmo assim, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que, neste momento, não há previsão de rodízio ou racionamento de água durante a estiagem.
Por que 33% preocupa?
O Cantareira está atualmente na chamada Faixa 3 — Alerta, definida pelas regras de operação dos reservatórios. Nessa faixa, a Sabesp pode retirar até 27 m³ de água por segundo do sistema, enquanto em condições de normalidade a captação pode chegar a 33 m³/s.
Isso não significa que a população esteja prestes a ficar sem água. O percentual representa o volume útil do sistema e não uma previsão direta de quantos dias de abastecimento restam.
️ O que pode acontecer daqui para frente?
O principal fator será a quantidade de chuva nos próximos meses. Se a estiagem continuar e o Cantareira cair abaixo dos 30%, a situação ficará mais delicada e exigirá medidas adicionais de gestão.
Por enquanto, o governo aposta em estratégias como:
- transferência de água entre diferentes sistemas;
- controle da pressão da rede durante determinados períodos;
- redução de perdas;
- utilização de outras fontes de abastecimento;
- obras e investimentos em infraestrutura hídrica.
A ANA confirmou que o Cantareira continuará na Faixa de Alerta em setembro, justamente porque terminou agosto entre 30% e 40% do volume útil.
⚠️ E o que significa "sem racionamento"?
É importante diferenciar racionamento de medidas preventivas.
O governo pode adotar ações para reduzir o consumo e preservar os reservatórios sem estabelecer um rodízio oficial, no qual determinadas regiões ficam sem água em horários ou dias previamente determinados.
A Sabesp, por exemplo, vem utilizando a gestão da pressão noturna da rede, que reduz a pressão da água durante determinadas horas para diminuir perdas e preservar os mananciais. Segundo a companhia, a medida acumulou uma economia estimada em 193 bilhões de litros em um ano.