O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 16 pessoas acusadas de participar de um esquema de desvio de metanol usado para adulterar combustíveis na capital e na Grande São Paulo. A denúncia foi apresentada pelo Gaeco e reúne elementos das operações Carbono Oculto e Boyle.
⛽ Como funcionava o esquema?
Segundo o MP, o grupo teria atuado entre 2017 e 2025. O metanol era comprado de maneira aparentemente legal, com documentos que indicavam que o produto seria utilizado na produção de biodiesel ou em atividades químicas.
Na prática, segundo a investigação, parte das cargas era desviada do destino oficial e levada para postos e empresas ligadas ao setor de combustíveis na Grande São Paulo. O produto seria então misturado irregularmente à gasolina ou ao etanol.
A investigação estima que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido desviados durante o período investigado.
E o dinheiro?
O esquema, segundo a denúncia, não envolvia apenas a adulteração dos combustíveis.
Os investigadores apontam uma estrutura formada por empresas químicas, transportadoras, distribuidoras, instituições de pagamento e fundos de investimento. Esses mecanismos teriam sido utilizados para movimentar e ocultar os recursos obtidos ilegalmente.
Entre as empresas citadas na investigação estão Aster, Copape e Duvale, além da instituição de pagamento BK e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
Quem está entre os denunciados?
Um dos principais nomes é Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", apontado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pela estrutura investigada.
Os denunciados são acusados de crimes como:
- organização criminosa;
- lavagem de dinheiro;
- adulteração de combustíveis;
- estelionato;
- falsidade documental;
- crimes tributários;
- crimes contra o consumidor;
- crimes ambientais.
⚠️ E o PCC?
O PCC aparece na investigação, mas é importante fazer uma distinção: a denúncia contra os 16 não afirma que todos sejam integrantes da facção.
O nome da organização criminosa aparece relacionado a determinados investigados e suspeitas de vínculos, mas isso não significa que os 16 denunciados tenham sido formalmente acusados de pertencer ao PCC nessa denúncia específica.
Por que o uso irregular de metanol é perigoso?
O metanol é um produto químico tóxico e não deve ser utilizado livremente para adulterar combustíveis. A adulteração pode comprometer o funcionamento dos veículos e representar riscos à saúde e à segurança, além de prejudicar consumidores que pagam por um combustível que não corresponde ao produto declarado.
⚖️ O que acontece agora?
A denúncia do Ministério Público não significa que os 16 já foram condenados. Cabe à Justiça analisar a acusação e decidir se ela será recebida, dando início ao processo criminal.
O caso é mais um desdobramento das investigações sobre uma estrutura de fraude, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro em São Paulo.