
A Hungria tem uma história fascinante, mas também possui episódios bastante sombrios — envolvendo guerras, tortura, perseguições políticas, caça às bruxas e lendas macabras.
1. A história da “Condessa de Sangue”
A nobre Erzsébet Báthory ficou conhecida mundialmente como a “Condessa de Sangue”. Ela foi acusada, no início do século XVII, de torturar e matar jovens mulheres.
O número de vítimas atribuído a ela chegou a centenas, mas esse número é controverso. Documentos do Arquivo Nacional Húngaro mostram que a investigação teve problemas e que não houve uma prova confiável para sustentar algumas das acusações mais extremas.
2. Ela realmente tomava banho de sangue?
Essa é uma das partes mais famosas da história — e provavelmente uma das mais exageradas.
A história de que Báthory tomava banho no sangue de jovens para preservar a juventude não aparece nas principais evidências contemporâneas do processo. Essa versão surgiu muito tempo depois, tornando-se parte da lenda.
⚔️ 3. A Hungria passou séculos entre guerras
Durante grande parte de sua história, o território húngaro ficou no centro de disputas entre grandes potências europeias, especialmente Habsburgos e Império Otomano.
Isso significou invasões, cercos, destruição de cidades e enormes perdas humanas.
♀️ 4. Houve perseguição a supostas bruxas
A Hungria teve processos contra pessoas acusadas de bruxaria durante séculos. Os julgamentos chegaram ao século XVIII, quando a perseguição já estava diminuindo em grande parte da Europa.
Acusações de magia, maldições e práticas sobrenaturais podiam levar a investigações e punições extremamente severas.
☠️ 5. Existia até medo oficial de “vampiros”
Um detalhe curioso é que, no século XII, o rei Coloman da Hungria chegou a determinar que pessoas supostamente chamadas de strigae — associadas a criaturas sobrenaturais — não existiam, proibindo perseguições baseadas nessa crença.
Ou seja: o medo de seres sobrenaturais era tão presente que chegou a aparecer em legislação medieval.
️ 6. A polícia secreta aterrorizou a população
No século XX, a Hungria viveu períodos de regimes autoritários. Após a Segunda Guerra Mundial, a polícia política comunista, posteriormente conhecida como ÁVH, tornou-se um dos instrumentos de repressão do regime.
A organização utilizava vigilância, prisões e interrogatórios para perseguir opositores.
️ 7. Existe uma casa ligada ao terror político
Em Budapeste, o endereço Andrássy út 60 tornou-se um dos símbolos mais sombrios da história moderna húngara.
O prédio foi utilizado primeiro pelos nazistas húngaros e depois pela polícia política comunista. Pessoas foram presas, interrogadas, torturadas e mortas no local. Hoje funciona ali o Museu Casa do Terror.
8. Milhares foram presos pelo regime comunista
Entre 1945 e 1956, dezenas de milhares de pessoas foram encarceradas e quase 500 integrantes de movimentos de resistência foram executados, segundo o Museu Casa do Terror.
9. O castelo de Báthory fica fora da atual Hungria
Há uma curiosidade geográfica: o famoso Castelo de Čachtice, associado a Erzsébet Báthory, fica atualmente na Eslováquia.
Na época dela, porém, a região fazia parte do Reino da Hungria. Por isso, a personagem aparece frequentemente na história e no imaginário húngaros.
10. A Hungria ajudou a alimentar o imaginário europeu sobre vampiros
A combinação de castelos medievais, histórias de sangue, mortes misteriosas e crenças sobrenaturais ajudou a criar uma forte tradição de lendas sombrias na região da Europa Central.
Mas é importante separar folclore de história: muitas das histórias mais assustadoras foram exageradas ou modificadas ao longo dos séculos.
O lado mais assustador
Talvez o aspecto mais sombrio da Hungria não esteja nas lendas de vampiros ou na história de Báthory, mas nos episódios documentados de repressão política, guerras e perseguições.
E isso torna a história do país ainda mais interessante: por trás das belas paisagens de Budapeste, castelos e arquitetura histórica existe uma trajetória marcada por invasões, impérios, ditaduras e resistência.