A seca voltou a provocar uma situação de emergência na Região Norte, com impactos especialmente fortes no Acre e no Amazonas. No Acre, o governo federal reconheceu oficialmente a situação de emergência nesta quinta-feira (20), diante do avanço da estiagem.
Acre tem seca em todo o território
O cenário no Acre se agravou rapidamente. Segundo o Monitor de Secas, em julho a área afetada passou de 67% para 100% do território estadual, colocando todo o estado sob algum nível de seca.
A redução das chuvas e dos níveis dos rios afeta diretamente o abastecimento, a agricultura, a criação de animais e principalmente o deslocamento de comunidades que dependem do transporte fluvial.
Amazonas sofre com rios cada vez mais baixos
No Amazonas, um dos principais problemas é a dificuldade de navegação. Em municípios como Humaitá, a redução do nível dos rios já prejudica o transporte e o atendimento de saúde de comunidades rurais e ribeirinhas.
A situação preocupa porque os rios funcionam como verdadeiras estradas para milhares de moradores da Amazônia. Quando o nível da água cai muito, embarcações maiores deixam de conseguir chegar a determinadas comunidades.
Seca também aumenta o risco de incêndios
Além dos problemas de transporte e abastecimento, a estiagem deixa a vegetação mais seca e inflamável, aumentando o risco de queimadas e incêndios florestais.
O cenário preocupa ainda mais diante da formação de um novo El Niño, fenômeno climático que pode favorecer períodos de calor e redução das chuvas na Amazônia.
⚠️ Por que a situação preocupa?
A seca pode provocar uma série de efeitos em cadeia:
- dificuldade ou interrupção do transporte pelos rios;
- aumento do preço de alimentos;
- ⛽ dificuldade de transporte de combustíveis;
- problemas para levar atendimento médico às comunidades isoladas;
- prejuízos para agricultores e pescadores;
- aumento do risco de incêndios florestais;
- dificuldade de acesso à água;
- redução da pesca e impactos sobre a fauna aquática.
O Amazonas já enfrentou uma das secas mais severas de sua história recente em 2023 e 2024, quando comunidades ficaram isoladas e houve impactos expressivos sobre a fauna e a economia local. Em 2023, por exemplo, 209 botos morreram durante a seca extrema no lago Tefé.
O alerta agora é para evitar que a nova estiagem evolua para uma crise semelhante ou ainda mais grave, especialmente nas comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem diretamente dos rios para alimentação, transporte e acesso a serviços básicos.