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MITO OU VERDADE: REDES SOCIAIS DIMINUEM A ATENÇÃO?
Por JOAO BISPO
Publicado em 17/08/2026 07:43
Curiosidades

VERDADE — mas com uma ressalva importante.

O uso frequente de redes sociais, especialmente de conteúdos curtos, rápidos e constantemente alternados, pode estar associado a dificuldades de manter a atenção por períodos prolongados.

O que acontece?

Plataformas de vídeos curtos e feeds infinitos oferecem uma sequência de estímulos:

➡️ vídeo de alguns segundos
➡️ deslize
➡️ novo assunto
➡️ novo estímulo
➡️ recompensa
➡️ deslize novamente

Esse padrão pode favorecer o hábito de trocar rapidamente de foco.

Isso significa que o celular "destrói" a atenção?

Não. Essa afirmação seria exagerada.

A pesquisa científica ainda não permite dizer que redes sociais simplesmente "destroem" a capacidade de concentração. O que existe é uma associação entre uso intenso/problemático de redes sociais e pior desempenho em alguns aspectos da atenção e do controle cognitivo.

Além disso, o efeito depende de fatores como tempo de uso, tipo de conteúdo, qualidade do sono, multitarefa e características individuais.

O problema pode ser o hábito de interromper tudo

Um dos comportamentos mais prejudiciais é a checagem constante do celular.

Imagine:

lê duas páginas
olha uma notificação
volta para o livro
abre uma mensagem
tenta retomar
troca de música
verifica o feed

Mesmo que cada interrupção dure poucos segundos, o cérebro precisa retomar a tarefa anterior repetidamente.

E os vídeos curtos?

Aqui existe uma questão interessante.

Pesquisas recentes encontraram associação entre uso frequente de vídeos curtos e pior desempenho em tarefas relacionadas à atenção e controle inibitório. Porém, isso não prova que assistir aos vídeos seja, sozinho, a causa da dificuldade.

Pode existir também o caminho inverso: pessoas com maior dificuldade de atenção podem ser mais atraídas por conteúdos rápidos.

O sono também entra nessa história

Redes sociais usadas até tarde podem prejudicar o sono — e dormir mal prejudica diretamente atenção, memória e capacidade de concentração.

 

Por isso, às vezes o problema não é apenas o conteúdo consumido, mas quando e como ele é consumido.

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