O número de mortos na crise migratória em Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África e cercado pelo Marrocos, subiu para 57, segundo autoridades espanholas. A tragédia ocorreu durante uma tentativa de entrada em massa de migrantes no território espanhol, considerada uma das maiores já registradas na região.
O que aconteceu?
Desde a madrugada de quinta-feira (30), mais de 50 mil pessoas tentaram cruzar a fronteira entre Marrocos e Ceuta por terra e pelo mar. O grande fluxo sobrecarregou as forças de segurança e os serviços de emergência.
Segundo o governo espanhol:
- 57 corpos foram recuperados do lado espanhol da fronteira;
- há receio de que existam mais vítimas em território marroquino;
- muitas pessoas morreram afogadas ao tentar contornar a barreira marítima;
- outras foram pisoteadas ou esmagadas durante a corrida para atravessar o quebra-mar e a cerca de proteção.
Crise humanitária
A chegada repentina de dezenas de milhares de migrantes provocou um colapso na capacidade de acolhimento de Ceuta. Abrigos, hospitais e serviços públicos ficaram sobrecarregados, enquanto equipes de resgate continuam procurando desaparecidos no mar.
Resposta das autoridades
As forças de segurança de Marrocos utilizaram cassetetes, gás lacrimogêneo e outras medidas de controle de multidões para tentar impedir novas entradas, enquanto a Espanha reforçou a presença de policiais, guardas civis e militares na fronteira.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou o episódio como uma violação da soberania espanhola e responsabilizou redes de tráfico de pessoas por incentivarem a travessia em massa com informações falsas sobre mudanças nas regras migratórias.
Retorno de migrantes
Apesar do grande número de entradas, o governo informou que dezenas de milhares de migrantes já retornaram voluntariamente ao Marrocos, enquanto outros estão sendo identificados para procedimentos de repatriação ou análise de pedidos de proteção internacional.
Repercussão internacional
A tragédia reacendeu o debate sobre:
- o controle das fronteiras externas da União Europeia;
- a responsabilidade compartilhada entre Espanha, Marrocos e União Europeia na gestão dos fluxos migratórios;
- a necessidade de combater as redes de tráfico de pessoas;
- a proteção dos direitos humanos de migrantes e refugiados.
Organizações humanitárias pedem investigações sobre as circunstâncias das mortes e reforço das operações de busca e salvamento, enquanto líderes políticos europeus discutem medidas para evitar novos episódios semelhantes.