O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 185 visitas nos quatro meses em que está em prisão domiciliar, segundo informações detalhadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes em uma decisão judicial. O levantamento foi apresentado para rebater a alegação da defesa de que Bolsonaro estaria "incomunicável".
De acordo com a decisão, as visitas foram distribuídas da seguinte forma:
- 70 visitas de médicos, autorizados a comparecer regularmente devido ao estado de saúde do ex-presidente;
- 64 encontros com advogados, permitidos pela legislação e pelas regras da execução da pena;
- 31 visitas dos filhos:
- Flávio Bolsonaro: 18 visitas (além de uma ocasião acompanhado da esposa e da filha);
- Carlos Bolsonaro: 11 visitas;
- Jair Renan Bolsonaro: 2 visitas;
- 17 sessões de fisioterapia realizadas em casa;
- Visitas pontuais de um cabeleireiro e de um funcionário de cartório, além de outros prestadores de serviço autorizados.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março de 2026, após deixar a unidade prisional por razões de saúde. Ele reside em Brasília com a esposa, Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia, que não entram na contagem de visitantes por morarem na mesma residência.
Novas restrições
Na mesma decisão, Alexandre de Moraes determinou o endurecimento das regras impostas ao ex-presidente após entender que houve descumprimento de medidas cautelares. Entre as determinações estão:
- suspensão, por 30 dias, das visitas de pessoas que não sejam médicos, fisioterapeutas ou advogados;
- proibição de encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026;
- proibição de divulgar cartas, manifestos ou mensagens de conteúdo político por intermédio de terceiros.
Ao justificar as novas restrições, Moraes afirmou que, diante das 185 visitas registradas, não procede a alegação de que Bolsonaro estivesse isolado ou sem possibilidade de contato com familiares, profissionais de saúde e sua equipe jurídica.